60 anos da Rede Mato Grossense resgata o DNA do jornalismo comunitário

Ao completar 60 anos, a Rede Mato Grossense de Comunicação abre seus arquivos para contar uma história que sempre esteve no centro da sua atuação: o jornalismo comunitário. A série especial, exibida no MT1, revisita reportagens, personagens e transformações que marcaram décadas de televisão em Mato Grosso, mostrando como a proximidade com a população se tornou parte do DNA da emissora desde o início.

Fundada pelos irmãos Eduardo, Uesi, Jorge e João, a então nascente televisão regional apostou em um projeto ousado para a época: produzir conteúdo local, dar visibilidade às histórias das cidades e acompanhar de perto os desafios enfrentados pela população do Centro-Oeste.

Em um tempo em que a programação só começava à noite e a tela ficava apagada durante o horário do almoço, Cuiabá já tinha muito a dizer e a TV estava pronta para ouvir.

60 anos da Rede Mato-Grossense resgata o DNA do jornalismo comunitário
60 anos da Rede Mato-Grossense resgata o DNA do jornalismo comunitário. Foto: Divulgação

Mesmo sem a estrutura tecnológica de hoje, a TV Centro América nasceu com a missão de fazer jornalismo regional. Mais do que noticiar fatos, o objetivo sempre foi dar voz às pessoas, transformar demandas da comunidade em pauta e aproximar moradores e autoridades por meio da informação.

Essa memória é preservada no SEDOC, o centro de documentação da emissora. Há 25 anos no setor, Edilson Oliveira é um dos guardiões desse acervo, formado por fitas, registros e histórias que ajudam a entender a evolução do jornalismo local. “É gratificante ver que o trabalho da gente foi importante, que aquilo teve valor”, relembra.

De outra geração, a produtora Carolina Andreani mergulhou nesse material para entender como o jornalismo comunitário atravessou o tempo. A pesquisa revelou algo curioso: muitos problemas retratados décadas atrás ainda persistem. Falta de água, transporte precário e dificuldades nos bairros continuam sendo temas recorrentes. “A gente volta ao passado e percebe que muita coisa ainda é pertinente hoje. Por isso o jornalismo comunitário continua tão necessário”, avalia.

Produzir uma reportagem, no início da televisão, era quase uma operação artesanal. Câmeras pesadas, fitas que precisavam ser rebobinadas inúmeras vezes e um processo lento de edição exigiam paciência e olhar atento. Mais do que tecnologia, contar histórias dependia da sensibilidade de quem estava atrás da câmera.

Ainda sem editorias formalizadas, o jornalismo já era profundamente comunitário. Um exemplo emblemático foi a cobertura da poluição no rio Coxipó, explicada com um dito popular cuiabano para traduzir um problema ambiental sério vivido pela cidade.

O repórter Pedro Pinto, que também atuou como editor e diretor de jornalismo, reviveu uma dessas reportagens históricas. No fim da década de 1980, ele deu voz aos moradores do bairro Três Barras, que enfrentavam a falta de água mesmo com rede instalada pela Sanemat. As torneiras despejavam ar, enquanto famílias recorriam a poços improvisados e até a uma lagoa poluída para sobreviver.

Outras imagens mostram a superlotação do transporte público, filas intermináveis e a revolta de trabalhadores que não conseguiam chegar ao emprego. Décadas depois, os desafios nos bairros periféricos ainda ecoam, agora agravados por problemas como a presença do crime organizado em algumas comunidades.

Ao longo desse percurso, a televisão se consolidou como ponte entre a população e o poder público, um espaço de denúncia, escuta e busca por soluções. Esse papel também aparece na cobertura das transformações urbanas de Cuiabá, como a expansão da Avenida Miguel Sutil, que conectou bairros, mudou a dinâmica da cidade e faz parte da memória coletiva construída pelo jornalismo comunitário.

Moradores como seu José Calixto lembram de um tempo em que faltava água, luz e infraestrutura básica. “A gente buscava água na cacimba”, recorda. Hoje, muita coisa mudou, e essas mudanças também foram contadas pela TV, sempre a partir do olhar de quem vive a cidade.

A série especial mostra que essa história continua em construção. A partir dos anos 1990 e 2000, o MT1, companheiro do horário do almoço, passou por uma transformação editorial e ampliou sua atuação com serviços ao cidadão. Esse próximo capítulo, porém, fica para o episódio seguinte.

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