Novo Gasoduto Argentina-Paraguai pode Impulsionar Economia de Mato Grosso do Sul

A Argentina e o Paraguai formalizaram um acordo que reacende a possibilidade de um gasoduto internacional com potencial para transformar Mato Grosso do Sul em um novo centro de distribuição de gás natural no Brasil. A iniciativa prevê a realização de estudos para o transporte do gás da reserva de Vaca Muerta, na Argentina, até o Paraguai. Uma extensão do gasoduto até Mato Grosso do Sul representaria uma rota alternativa de suprimento para o mercado energético brasileiro, impulsionando a arrecadação estadual através do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

A criação dessa nova infraestrutura beneficiaria diretamente o Estado, posicionando-o como um elo logístico essencial. A proposta se alinha com o avanço da Rota Bioceânica, conectando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, fortalecendo a integração regional.

Atualmente, o gás natural que abastece Mato Grosso do Sul e outros estados brasileiros chega por Corumbá, proveniente da Bolívia. No entanto, a queda na produção boliviana e a instabilidade nos contratos têm motivado o governo estadual a buscar novas soluções. A entrada do gás argentino por Mato Grosso do Sul ampliaria significativamente a arrecadação estadual, já que o ICMS incide sobre o ponto de importação do produto.

O governo do Estado acompanha de perto os desdobramentos do acordo entre a Argentina e o Paraguai, mantendo tratativas bilaterais com o país vizinho. Em abril, uma comitiva da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc) visitou Villeta, região metropolitana de Assunção, para discutir a viabilidade logística de uma rota de gás até Mato Grosso do Sul.

Existe um termo de cooperação técnica entre Mato Grosso do Sul e Paraguai para o desenvolvimento de estudos voltados à construção do gasoduto, com a proposta de conectar o gás vindo da Argentina ao território paraguaio e, posteriormente, ao estado brasileiro, preferencialmente pela Rota Bioceânica.

Já existe um gasoduto entre a Bolívia e a Argentina, por onde a Bolívia fornecia gás. Com a reversão desse fluxo, a Bolívia deixou de exportar gás à Argentina, abrindo o caminho para que a infraestrutura seja usada no sentido oposto. O trecho revertido pode ser integrado a esse novo projeto.

Os estudos iniciais consideram a possibilidade de o gasoduto passar por Porto Murtinho ou por Ponta Porã, conectando-se, depois, ao Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol).

O Estado já recebe gás natural vindo da Argentina por meio do Gasbol, importado por empresas privadas, o que demonstra a viabilidade dessa alternativa de fornecimento.

O modelo em análise prevê um gasoduto com capacidade para 20 milhões de m³ diários, dos quais 10 milhões seriam consumidos pelo Paraguai e os outros 10 milhões destinados ao Brasil via Mato Grosso do Sul. O Gasbol tem capacidade ociosa, o que pode permitir esse volume adicional sem necessidade de grandes obras complementares no trecho brasileiro.

Todos os estudos ainda estão em fase preliminar, mas o objetivo comum dos países é garantir segurança energética e desenvolvimento industrial. O Paraguai também precisa de gás para a sua matriz energética e para a produção industrial.

Análises apontam que a infraestrutura logística e a posição geográfica de Mato Grosso do Sul podem ser determinantes para consolidar essa nova rota. A ideia é aproveitar a estrutura já existente do Gasoduto Norte, na Argentina, e construir um “braço” passando pela província de Salta, entrando no Paraguai, cruzando Mariscal Estigarribia e indo até Porto Murtinho e Campo Grande, onde haveria uma ligação com o gasoduto já existente, que vem da Bolívia.

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