No universo masculino, discussões sobre futebol, trabalho e política dominam as conversas, enquanto a expressão de sentimentos e vulnerabilidades permanece um tabu. Essa cultura de silêncio impacta diretamente a saúde mental dos homens, podendo levar a problemas graves como dependência química, alcoolismo e transtornos psiquiátricos.
De acordo com o psicólogo Leonardo Leite, a resistência masculina em buscar ajuda psicológica está enraizada em crenças culturais e sociais. A ideia de que procurar terapia é sinal de fraqueza impede muitos homens de compartilhar suas dores, agravando seus problemas.
Os números revelam a gravidade da situação. Dados do Ministério da Saúde apontam que o suicídio é quase quatro vezes mais comum entre homens, com 9,9 mortes por 100 mil habitantes, em comparação com 2,6 entre as mulheres. A faixa etária mais afetada está entre 15 e 29 anos, período em que surgem os primeiros sinais de transtornos como depressão e ansiedade, somados às pressões da vida adulta.
Muitos homens recorrem ao álcool e às drogas como válvulas de escape, buscando alívio para a ansiedade e a tristeza. No entanto, essas substâncias apenas intensificam os sintomas e podem levar à dependência. Além disso, homens tendem a escolher métodos mais letais em tentativas de suicídio, como enforcamento e armas de fogo, aumentando o número de mortes.
A resistência em procurar apoio psicológico causa prejuízos em diversas áreas da vida. Sinais como insônia, irritabilidade e isolamento são frequentemente ignorados, comprometendo relações familiares, desempenho profissional e qualidade de vida. Quando a ajuda é buscada, a situação já está bastante desestruturada, tornando o tratamento mais longo e complexo.
Especialistas defendem que a mudança passa pela educação e pelo incentivo a práticas preventivas desde a infância. Ensinar que falar sobre sentimentos é legítimo e que pedir ajuda é um ato de coragem é fundamental. O acolhimento no cotidiano, oferecendo escuta e apoio sem julgamentos, também é essencial.
A campanha Setembro Amarelo enfrenta o desafio de romper barreiras culturais e desconstruir a ideia de que a masculinidade está ligada à ausência de fragilidades. Criar espaços de diálogo onde homens possam expressar suas dores sem medo é crucial.
Em Campo Grande, instituições de ensino superior oferecem atendimento psicológico gratuito. Além disso, organizações como Narcóticos Anônimos e Alcoólicos Anônimos prestam auxílio para casos de dependência química, com informações disponíveis por telefone e WhatsApp.






