Nelson Wilians Nega Juramento e Invoca Silêncio em CPMI do INSS

O advogado Nelson Wilians, investigado pela Polícia Federal por suspeitas de envolvimento em um esquema de fraudes no INSS, compareceu à CPMI nesta quinta-feira e se recusou a prestar o compromisso de dizer a verdade. Wilians é suspeito de envolvimento em transações ilícitas com um empresário apontado como figura central no esquema de descontos irregulares a aposentados.

O advogado obteve um habeas corpus do STF, garantindo o direito de não prestar o compromisso de falar a verdade e de permanecer em silêncio durante a sessão. Apesar disso, o presidente da comissão, Carlos Viana, questionou se Wilians gostaria de prestar o compromisso voluntariamente, o que foi negado.

Durante sua apresentação, Wilians declarou “abominar” os crimes sob investigação. Em seguida, afirmou que exerceria o direito de permanecer em silêncio, pedindo respeito a essa decisão. Diante das perguntas, passou a responder: “reafirmo que nada tenho a ver com o objeto desta CPMI”.

O advogado negou conhecer Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, mas admitiu amizade com Maurício Camisotti, que foi seu cliente. Relatórios de inteligência financeira apontam que Wilians movimentou R$ 4,3 bilhões em operações consideradas suspeitas entre 2019 e 2023.

A Polícia Federal suspeita que a relação de Wilians com Camisotti vai além de uma relação profissional. Investigações apontam que justificativas apresentadas por Wilians sobre transações financeiras com Camisotti não encontram lastro em dados oficiais ou nas contas pessoais e empresariais de ambos. A polícia alega não haver justificativa para as transferências feitas por Wilians a Camisotti, incluindo alegações de compra de imóveis não registrados em cartório.

Camisotti e o “Careca do INSS” são apontados como articuladores de associações usadas para descontar parte dos pagamentos de aposentados sem autorização, incluindo a Ambec, que movimentou R$ 231,3 milhões em descontos irregulares. A PF suspeita que a entidade seja controlada por “laranjas” ligados a Camisotti.

Segundo a PF, Wilians é suspeito de ser beneficiário dos descontos associativos da Ambec, demonstrando interesse em informações sobre a investigação e realizando repasses financeiros a Camisotti, atuando como “elo de intermediação na circulação de valores provenientes de atividades ilícitas”. O esquema pode ter movimentado mais de R$ 6 bilhões entre 2019 e 2024.

Questionado sobre doações de campanha, Wilians negou que tivessem como objetivo exercer influência sobre políticos e passou a demonstrar impaciência, reafirmando que não tem participação nos fatos investigados pela comissão.

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