Jovem Morre em MS Após Suspeita de Cachaça Adulterada: Metanol é Investigado

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul investiga se a morte de Matheus Santana Falcão, de 21 anos, está relacionada à ingestão de cachaça adulterada com metanol. O caso acende um alerta no estado, em meio a um aumento de notificações de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas em todo o país. Matheus morreu em Campo Grande, após consumir uma cachaça da marca “Camelinho”, comprada em uma conveniência local.

O irmão da vítima, Thiago Santana Falcão, adquiriu a bebida na conveniência NaschBeer, após não conseguir comprar em um supermercado que estava fechado. No dia seguinte, Matheus começou a se queixar de dores e apresentou sintomas como mal-estar, náuseas e vômito. A família relata demora no atendimento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Segundo a tia da vítima, o Samu foi acionado às 16h, mas só chegou ao local por volta das 18h para levá-lo à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Bairro Universitário. Ao chegar na UPA, Matheus estava consciente e conseguiu caminhar até a triagem, relatando ter consumido whisky no sábado e cachaça no domingo, além de fazer uso de álcool para dormir desde os 19 anos.

Inicialmente classificado com gravidade moderada, o quadro de Matheus se agravou rapidamente. Cerca de 15 minutos após a triagem, ele teve uma crise convulsiva e foi transferido inconsciente para a área vermelha. O jovem sofreu paradas cardiorrespiratórias e, apesar da intubação, faleceu às 19h53min.

O corpo de Matheus foi encaminhado para exames necroscópicos e amostras de sangue e urina foram enviadas ao Laboratório Central do Município para análise toxicológica. A cachaça consumida também foi apreendida para análise, visando identificar a presença de metanol. O resultado dos exames pode levar até 30 dias.

A dona da conveniência NaschBeer, Maria Silva, confirmou a venda da cachaça, mas expressou descrença na presença de metanol na bebida, alegando que a marca está no mercado há muito tempo. Após o caso, o Procon-MS confiscou o lote da cachaça e uma marca de vodka do mesmo fabricante. Maria Silva informou que as bebidas foram fornecidas por uma distribuidora parceira.

A Prefeitura de Campo Grande lamentou a morte do jovem e contestou a versão da família sobre a demora no atendimento, afirmando que Matheus recebeu atendimento imediato e adequado desde o acionamento do Samu. A prefeitura também emitiu um alerta epidemiológico sobre casos de intoxicação por metanol no país.

A Polícia Civil está investigando locais suspeitos de vender bebidas adulteradas. No entanto, ressalta que ainda não é possível confirmar a intoxicação por metanol como causa da morte, e que é preciso aguardar os resultados dos exames para evitar prejuízos ao comércio local.

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