Ato pró-governo mira Congresso, mas mira também Bolsonaro e Tarcísio

Uma manifestação organizada por apoiadores do governo, realizada nesta quinta-feira, em frente ao MASP, tinha como objetivo inicial pressionar o Congresso em relação a pautas como a taxação de grandes fortunas, a isenção de Imposto de Renda e o fim da escala de trabalho 6×1. Contudo, o ato ganhou novos contornos e se tornou também um protesto contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), em resposta à sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

A manifestação, que teve início por volta das 18h, reuniu aproximadamente 15 mil participantes, segundo dados do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap). Esse número supera a participação da última manifestação de apoiadores de Bolsonaro, ocorrida em 30 de julho, que contabilizou 12,4 mil pessoas.

Inicialmente, o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP) havia convocado militantes para protestar “contra os privilégios protegidos pelo Centrão e pela extrema-direita”. No entanto, após o anúncio da sobretaxa sobre produtos nacionais, o parlamentar adaptou a mensagem, adotando o slogan “Brasil para os brasileiros”. Em sua conta no X (antigo Twitter), Boulos publicou: “Mais do que nunca, amanhã é rua!” após a notícia da taxação.

Durante o evento, manifestantes entoaram gritos de “Fora Tarcísio”, em crítica ao governador paulista que defendeu Bolsonaro após o anúncio de Donald Trump. Tarcísio, em sua conta no X, afirmou que “somente o povo poderia julgar Bolsonaro” e almoçou com o ex-presidente nesta quinta-feira, demonstrando seu apoio.

“Aqui estão os verdadeiros patriotas, não quem é traidor da pátria, não quem usa símbolo nacional para conspirar contra o país. É um ato em defesa do Brasil, do povo brasileiro”, declarou Boulos durante a manifestação. Ele também criticou Tarcísio, sugerindo que o governador “deveria pedir votos em Miami” nas próximas eleições.

A estratégia de “nós contra eles”, utilizada pelo governo, também se fez presente no ato. Faixas com mensagens como “Congresso inimigo do povo”, “Congresso da mamata” e “Congresso podre” demonstram o apoio dos manifestantes à estratégia de oposição entre o Poder Executivo e o Legislativo.

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