Campo Grande enfrenta uma crise na saúde pública, com a ausência de um secretário titular há mais de 40 dias. A demora em nomear um responsável pela pasta coincide com relatos de superlotação em unidades de saúde e falta de leitos hospitalares, gerando preocupação na população.
Em audiência pública realizada na Câmara Municipal para discutir a falta de medicamentos, a chefe-gestora do Comitê da Saúde, Ivoni Kanaan Nabhan Pelegrinelli, admitiu que ainda estão sendo realizados levantamentos para solucionar o problema da falta de leitos. Questionada sobre um plano concreto, Ivoni se limitou a dizer que está em discussão com o Estado para avaliar a necessidade de mais leitos. A lentidão na apresentação de soluções concretas, quase seis semanas após a criação do Comitê Gestor, levanta questionamentos sobre a capacidade de resposta da administração municipal.
O Superintendente Estadual do Ministério da Saúde, Ronaldo de Souza Costa, expressou surpresa com a formação do Comitê Gestor e questionou a efetividade desse modelo de gestão. Ele também apontou a necessidade de uma auditoria eficiente nos contratos da prefeitura com hospitais, mencionando que dados de dezembro indicavam que apenas 33% dos leitos destinados ao SUS estavam sendo ocupados por pacientes da saúde pública. Segundo ele, essa situação sugere falta de atendimento e mortes evitáveis.
Apesar da aparente falta de recursos, Ronaldo informou que há R$ 529 milhões disponíveis no Fundo Municipal de Saúde, de um total de R$ 2,250 bilhões, que não foram investidos até o fim do segundo quadrimestre. Ivoni Nabhan, por outro lado, defendeu a necessidade de mais aportes financeiros e mencionou a intenção de buscar recursos junto ao governo federal.
Enquanto isso, pacientes como Dilfa Almeida, de 74 anos, sofrem com a demora no acesso a leitos hospitalares. Após passar vários dias internada em uma Unidade de Pronto Atendimento, a idosa só conseguiu uma vaga no Hospital Regional após intervenção da Defensoria Pública.
Levantamento feito com os principais hospitais de Campo Grande que atendem pacientes do SUS revela um cenário preocupante, com altas taxas de ocupação em UTIs e enfermarias. O Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian e o Hospital Adventista do Pênfigo relatam ocupação máxima em seus leitos de UTI, enquanto a Santa Casa opera com mais de 80% de seus leitos ocupados.





