Maria Fernanda Figueiró Leva Reflexões Sobre Gênero e Identidade à Cena Campo-Grandense

Após uma jornada pela cena alternativa de Campo Grande com o projeto No Bueiro, em parceria com Halisson Nunes, e uma participação na Bienal de Lyon, Maria Fernanda Figueiró estreia o solo “Quem a Mim Nomeou o Mundo?” em Campo Grande. A apresentação, fruto da parceria com a coreógrafa Vanessa Macedo, será no Sesc Teatro Prosa, com sessões às 16h e 19h, com entrada gratuita.

A Bienal de Lyon, palco para onde a artista sul-mato-grossense foi levada por meio de uma seleção da Funarte, é reconhecida como um dos principais eventos de dança contemporânea do mundo. Lá, Maria Fernanda apresentou uma versão inicial de seu solo, integrando uma comitiva de artistas brasileiros.

O espetáculo, agora em sua versão completa e depurada, convida o público a refletir sobre a influência da sociedade na construção da identidade individual. “Quem a Mim Nomeou o Mundo?” questiona as palavras que moldam os sujeitos e os corpos, com foco na reflexão sobre o que é gênero.

“A partir do corpo-depoimento, em cena eu investigo minhas dúvidas, angústias e minhas percepções sobre o que é ser nomeada enquanto mulher, quais as limitações que simbolicamente são colocadas sobre o corpo das mulheres que as impedem de ser livres, de fazer o que querem, e de pensar livremente”, declarou Maria Fernanda.

A experiência na Bienal de Lyon impactou profundamente a artista. Impressionada com a valorização da dança na cidade francesa, ela expressa o desejo de ver Campo Grande alcançar um patamar semelhante. “Observar uma cidade onde a dança tem um lugar de destaque, onde as pessoas anseiam assisti-la foi algo que nunca tinha visto antes”, relata.

A Bienal proporcionou ainda um rico intercâmbio entre artistas de diversas partes do mundo. “Todos os programadores e artistas que estavam presentes possuíam o intuito de estabelecer conexões, divulgar seus trabalhos, conhecer como é a dança do outro lado do mundo.”

De volta a Campo Grande, Maria Fernanda, que também integra a Ginga Cia. de Dança e a Cia. do Mato, busca fortalecer a dança como trabalho, expressão cultural e ferramenta de emancipação individual e coletiva. “Sou uma admiradora incurável da dança contemporânea brasileira. Acho que o nosso fazer é muito singular e muito importante no que tange a produção de um fazer significativo e que muito diz a quem assiste”, afirma.

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