Campo Grande enfrenta sérios desafios na manutenção de suas vias urbanas, com a crescente proliferação de buracos nas ruas. A situação se agrava devido à crise financeira que impacta o município, afetando diretamente a operação tapa-buraco. Empresas contratadas para realizar os serviços operam em ritmo lento, refletindo a dificuldade em receber pagamentos.
O Secretário Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos (Sisep), Marcelo Miglioli, compareceu à Câmara Municipal para discutir a situação com os vereadores. Ele esclareceu que a resolução do problema não é imediata, classificando-o como um “problema histórico” que assola a cidade há cerca de três décadas.
Segundo Miglioli, a prefeitura possui contratos com sete empresas, cada uma responsável por uma região da cidade. No entanto, a crise financeira e os cortes de gastos dificultam a alocação de recursos necessários para que essas empresas trabalhem no ritmo ideal. O planejamento executivo está pronto, mas a falta de recursos financeiros impede a potencialização dos contratos.
Devido às dívidas com as empresas, o serviço de tapa-buraco ocorre de forma intermitente, com revezamento de dias e regiões atendidas. O secretário espera que, com a regularização da situação financeira, todas as empresas possam trabalhar simultaneamente e em ritmo acelerado.
Foi apresentado um projeto de recapeamento contínuo como uma “solução real” para o problema, já em fase de licitação. O projeto visa a recuperação sistemática e contínua do asfalto, em vez de intervenções pontuais. A implementação do plano depende de recursos e parcerias financeiras com o governo estadual, federal e recursos municipais.
Moradores relatam dificuldades devido aos buracos. Um proprietário de centro automotivo observa um aumento na demanda por serviços de reparo de veículos danificados pelas crateras. Apesar de representar uma fonte de renda, ele expressa o desejo de ver as vias em melhores condições.
Em resposta à crise, o município adotou medidas como a redução da jornada de trabalho para 6 horas diárias e cortes salariais de 20% para a prefeita e o primeiro escalão. Cada secretaria municipal também deve apresentar um plano para reduzir os custos com folha de pagamento em 20%. As despesas com a folha de pagamento ultrapassaram o limite legal, atingindo 57,73% da Receita Corrente Líquida, totalizando R$ 3,022 bilhões nos últimos 12 meses. A arrecadação no mesmo período foi de R$ 5,9 bilhões, impulsionada pelo Imposto sobre Serviços (ISS) e o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).





