A região de fronteira entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai enfrenta uma escalada de violência, com o registro de quatro execuções em apenas três dias. As autoridades de segurança pública do estado expressaram preocupação com o aumento da criminalidade, apontando para uma disputa acirrada por território entre as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC).
O secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Antônio Carlos Videira, confirmou que as recentes execuções em Coronel Sapucaia e na cidade vizinha de Capitán Bado, no Paraguai, onde as vítimas possuíam histórico policial por tráfico de drogas, motivaram um reforço na atuação das forças de segurança na área. “Há uma disputa por território. A região já foi palco de disputas anteriores, e hoje a gente tem nessa região o PCC querendo dominar toda a cadeia produtiva de drogas”, afirmou Videira.
Desde o início do ano, a Sejusp registrou 107 homicídios dolosos nas cidades da faixa de fronteira com o Paraguai e a Bolívia, sendo sete deles apenas neste mês.
O primeiro ataque ocorreu em Coronel Sapucaia, onde Francisco Willams da Silva, de 33 anos, e Camila Barros Barboza, de 35 anos, foram mortos a tiros dentro de um veículo. Francisco possuía antecedentes criminais por tráfico de drogas e estava em liberdade condicional.
No dia seguinte, em Capitán Bado, dois homens foram executados a tiros. Um deles foi identificado como Alexi Xavier Escurra Rodrigues, de 25 anos, com histórico policial. A outra vítima foi Sebastian Gonzalez Espínola, de 37 anos.
Alexi Javier Escurra Rodriguez era sobrinho do narcotraficante Felipe Escurra, conhecido como Barón, apontado como ligado ao Comando Vermelho e procurado por crimes no Paraguai e no Brasil. Barón, considerado um dos maiores fornecedores de maconha para o mercado norte-americano, está foragido desde 2019.
A intensificação da violência na região pode ser resultado do fim da trégua entre PCC e Comando Vermelho, que havia sido estabelecida em fevereiro. O rompimento do acordo pode reacender a animosidade entre as facções e intensificar a disputa pelo controle do tráfico de drogas na região de fronteira.






