Manobra em Leilão Rodoviário Muda Regras da ANTT Após Caso Rota da Celulose

Uma estratégia controversa utilizada em um leilão de concessão rodoviária desencadeou uma revisão nas normas da Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A disputa em torno da Rota da Celulose, que culminou com a transferência da concessão do Consórcio K&G para o Consórcio Caminhos da Celulose, expôs uma brecha que permitia o uso de atestados de capacidade técnica antigos em processos licitatórios.

A manobra, que beneficiou a K-Infra, integrante do Consórcio K&G, ao apresentar um atestado de 2021 para o leilão da Rota da Celulose, realizado em maio, gerou questionamentos. O atestado em questão referia-se aos serviços prestados na Rota do Aço, no Rio de Janeiro. No entanto, menos de um mês depois do leilão, a ANTT decretou a caducidade do contrato de concessão da K-Infra na rodovia fluminense, devido a falhas na manutenção e atrasos em obras.

Essa situação levou o Consórcio Caminhos da Celulose, liderado pela XP Investimentos, a contestar a habilitação do Consórcio K&G. A alegação era que a K-Infra não possuía as condições necessárias para operar a rodovia sul-mato-grossense, dado seu histórico recente no Rio de Janeiro.

A ANTT agora exige que os atestados de capacidade técnica apresentados em seus leilões tenham sido emitidos nos 12 meses anteriores ao certame. A medida visa garantir que as empresas participantes possuam experiência recente e relevante para a execução dos contratos de concessão.

Atualmente, a K-Infra tenta reverter a decisão e retomar a concessão da Rota da Celulose de forma independente, sem o Fundo Galápagos. Contudo, sem outras concessões rodoviárias ativas, sua capacidade de comprovar expertise no setor é questionada.

O Consórcio Caminhos da Celulose aguarda o arrolamento de bens para assumir a gestão da Rota da Celulose, um conjunto de rodovias federais e estaduais que receberá investimentos de R$ 10,1 bilhões ao longo de 30 anos. O projeto prevê duplicações, terceiras faixas, vias marginais, passagens de fauna e melhorias nos acostamentos, com cobrança de pedágio free flow prevista para 13 meses após a assinatura do contrato.

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