Bolsonaro Detido: Surto, Tornozeleira e Detenção na PF

O ex-presidente Jair Bolsonaro está detido na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, após ter a sua prisão homologada por uma juíza auxiliar do ministro Alexandre de Moraes. A decisão determina que ele receba atendimento médico permanente e proíbe o uso de algemas ou exposição pública. Visitas serão autorizadas pelo STF, exceto as de seus advogados e médicos.

Bolsonaro admitiu ter tentado violar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda durante a madrugada de sábado. A perícia confirmou marcas de calor no equipamento. Segundo a decisão judicial, a tentativa de adulteração e o risco de fuga foram cruciais para decretar a prisão preventiva. Após a detenção, o dispositivo foi removido.

Em audiência de custódia, o ex-presidente alegou ter tido um “surto” e uma “alucinação” de que havia uma escuta dentro da tornozeleira, negando intenção de fuga. Afirmou que agiu sozinho e que ninguém testemunhou o incidente. Justificou a posse do ferro de solda como uma ferramenta que já tinha.

Bolsonaro relatou que, quatro dias antes da prisão, começou a tomar sertralina, um antidepressivo, que teria interagido de forma adversa com a pregabalina, um anticonvulsivo. Ele também mencionou dificuldades para dormir.

Bolsonaro e aliados foram condenados em setembro por crimes ligados à tentativa de golpe de Estado, relacionados aos eventos de 8 de Janeiro. A defesa do ex-presidente já anunciou que recorrerá da condenação, e, na sexta-feira anterior à prisão, solicitou que ele cumprisse eventual pena em regime domiciliar, alegando um quadro de saúde “profundamente debilitado”.

A defesa divulgou uma nota expressando “profunda perplexidade” com a prisão preventiva, argumentando que ela “pode colocar sua vida em risco”. O partido do ex-presidente classificou a prisão como “desnecessária”, citando também seu estado de saúde. A detenção gerou forte reação entre apoiadores, com aliados denunciando perseguição e defendendo a inocência de Bolsonaro. No governo, ministros comentaram a prisão nas redes sociais.

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