
Uma história pouco conhecida ou lembrada pelos ouvintes, mas que foi elucidada pelo livro lançado recentemente por Joseval Peixoto, é sobre as transmissões da Copa de 1966, na Inglaterra. A Panamericana, que enfrentava dificuldades financeiras, estava mudando de nome para Jovem Pan. Faltavam anunciantes e, antes de tudo, dinheiro para enviar profissionais à Europa. Entretanto, a emissora, que passava a ser comandada por Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta, já tinha cumprido os requisitos formais da BBC de Londres e poderia fazer a cobertura. Entretanto, sem anunciantes, seria impossível.
Já a Piratininga, de São Paulo, vivia uma situação oposta: não cumpriu qualquer exigência formal da Fifa, mas tinha um patrocinador: a Caninha Tatuzinho. Joseval Peixoto conta que recebeu uma ligação da emissora sugerindo que ele narrasse a Copa pela Piratininga em parceria com a própria Jovem Pan, com Darcy Reis. Mas tinha um porém: Joseval era amigo de Marco Antônio, titular da Piratininga, e teve a hombridade de não aceitar a vaga do colega de profissão. De qualquer maneira, as duas emissoras embarcaram para a Inglaterra e transmitiram a Copa. Leônidas da Silva, ex-craque de bola e comentarista da Pan, também viajou. Infelizmente, não há registro de áudio conhecido destas transmissões.
“(…) Promovi a união entre as duas emissoras, mas os narradores foram Darcy Reis e Marco Antônio — como deveria ser. E fiquei com a alma em paz. Tuta acabara de assumir o comando, e a Pan, naquele momento, estaria fora da Copa. Para mim, isso era inconcebível. Minha rádio precisava estar no ar, representada — com seu prefixo transmitindo direto de Londres (….)”, descreve Joseval Peixoto que, então, não esteve em 1966, quando a seleção brasileira amargou o décimo primeiro lugar, mas brilharia em 1970, no México, com o tricampeonato mundial.
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