Ascensão do PCC no Jogo do Bicho Acirra Guerra Criminosa em MS

Uma organização criminosa denominada MTS, supostamente ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), busca consolidar seu domínio sobre o jogo do bicho em Campo Grande. A ofensiva ocorre em meio ao declínio da família Razuk, que se tornou alvo da Justiça e da Operação Successione.

Investigações revelam que, após a prisão de Jamil Name e Jamil Name Filho em 2019, o controle do jogo do bicho na capital sul-mato-grossense precisava ser transferido para outro grupo. A família Name teria, então, realizado a “passagem de bastão” para o grupo MTS, informação confirmada pela Polícia Civil. Apesar da negociação, o grupo Razuk tentou impedir a ascensão do novo comando, o que o colocou sob investigação após confrontos violentos.

A transação com o grupo paulista teve como avalista Fahd Jamil, figura proeminente no cenário de contravenção do estado, que chegou a ser preso em 2021 por integrar organização criminosa.

Após sua entrada no mercado do jogo do bicho em Mato Grosso do Sul, Henrique Abraão Gonçalves da Silva, conhecido como Rico, teria contratado todos os 26 recolhedores que trabalhavam para a família Name, pagando a cada um R$ 4 mil mensais. O faturamento bruto estimado do esquema chegava a R$ 5,4 milhões por mês. Rico, anteriormente dono de uma tabacaria em São Paulo, mudou-se para o estado por volta de 2019, com o objetivo de expandir a exploração do jogo do bicho.

Investigações da Polícia Federal apontam que Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho, sobrinho de Marco Willians Herbas Camacho (Marcola), líder do PCC, atuava ao lado de Rico na liderança do grupo. Em 2022, Leonardo Camacho foi abordado pela PF junto com Henrique, este último apontado como representante em Mato Grosso do Sul de uma empresa de apostas esportivas investigada por suposto envolvimento com o PCC.

A disputa pelo controle do jogo do bicho intensificou-se com a família Razuk também buscando assumir o controle da atividade ilegal na capital. Em outubro de 2023, confrontos armados entre os dois grupos chamaram a atenção das autoridades. Investigações apontam que o grupo comandado por Neno Razuk realizou diversos assaltos contra os recolhedores que trabalhavam para o MTS.

A Operação Successione, que teve sua primeira fase deflagrada após os confrontos, resultou na apreensão de centenas de máquinas de registros de apostas em um local apontado como quartel-general do grupo Razuk. Três assessores parlamentares do deputado Neno Razuk foram presos na primeira fase da operação.

Na fase mais recente da Operação Successione, foram cumpridos 20 mandados de prisão preventiva e 27 de busca e apreensão em diversas cidades, incluindo Campo Grande, Dourados e Corumbá, além de endereços no Paraná, Goiás e Rio Grande do Sul. Durante as ações, foram apreendidos mais de R$ 300 mil, armas, munições e máquinas de apostas. A investigação também apontou para uma iminente expansão do grupo Razuk para o estado de Goiás. Os irmãos Rafael e Jorge Razuk, além de Marco Aurélio Horta, chefe de gabinete de Neno Razuk, também foram presos.

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