Relatório aponta mais de 875 conflitos da mineração no Brasil em 2024

O relatório Conflitos da Mineração no Brasil 2024, divulgado no dia 9 de dezembro, revela que a atividade mineral segue gerando impactos sociais, ambientais e territoriais em todo o país. Ao longo do ano passado, foram registradas 875 ocorrências de conflitos, distribuídas em 736 localidades, envolvendo ao menos 1.057.950 pessoas.

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Brasil registra mais de 800 conflitos envolvendo mineração. – Foto: PM-MT

Segundo o documento, os conflitos ligados à mineração ocorreram em todos os estados brasileiros, com exceção do Distrito Federal. Minas Gerais e Pará concentram o maior número de registros, mas outras unidades da federação também aparecem com números expressivos.

O levantamento mostra que os principais motivos dos conflitos são disputas por terra e por água, além de problemas relacionados à extração ilegal de minérios, saúde, trabalho e questões judiciais.

Outro ponto destacado é o avanço do garimpo ilegal, responsável por cerca de um quarto de todos os conflitos registrados em 2024. Essa prática está diretamente ligada à pressão sobre territórios indígenas, áreas ambientais protegidas e comunidades tradicionais, além de estar associada a episódios de violência, ameaças e criminalização de lideranças locais.

Mineração em Mato Grosso

Em Mato Grosso, o relatório identifica o estado como um dos mais afetados pelos conflitos da mineração. Em 2024, foram registradas mais de 40 ocorrências, o que representa 4,7% de todos os conflitos do país.

Dentro desse total, 33 casos estão ligados diretamente à extração ilegal de minérios, colocando o estado entre os três com mais registros desse tipo de conflito no Brasil.

O documento destaca que o garimpo ilegal é o principal responsável pelos conflitos em Mato Grosso, com forte impacto sobre terras indígenas. As áreas mais citadas são a Terra Indígena Sararé e a Terra Indígena Zoró, localizadas no sudoeste do estado.

A TI Sararé, inclusive, foi apontada como a terra indígena com mais alertas de garimpo ilegal em todo o país em 2024. O relatório também registra episódios de violência, ameaças e agressões contra lideranças indígenas nessas regiões.

Garimpo ilegal dentro da Terra Indigena Sete de Setembro
Garimpo ilegal avança nas Terras Indígenas de Mato Grosso. -Foto: Observa Rondônia

E em Mato Grosso do Sul

No caso de Mato Grosso do Sul, o relatório aponta um número menor de ocorrências em comparação a Mato Grosso, mas o estado também aparece no mapeamento nacional. Os conflitos registrados estão ligados principalmente a disputas territoriais e impactos da atividade mineral sobre comunidades locais, incluindo áreas rurais.

Embora Mato Grosso do Sul não figure entre os estados com maior volume de ocorrências, o documento reforça que os conflitos da mineração no estado seguem presentes e exigem atenção, especialmente em relação à proteção de comunidades afetadas e ao cumprimento das normas ambientais e legais.

O relatório conclui que, apesar de uma leve redução no total de conflitos em relação aos anos anteriores, o cenário de 2024 ainda é preocupante. A expansão territorial dos conflitos, o avanço do garimpo ilegal e os impactos sobre populações vulneráveis mostram que a mineração continua sendo um dos principais focos de tensão social e ambiental no Brasil.

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