Dois policiais militares foram presos nesta sexta-feira (19) em Campo Grande, acusados da morte de Rafael da Silva Costa durante uma abordagem violenta em novembro de 2025. Os policiais José Laurentino dos Santos Neto e Vinícius Araújo Soares foram detidos após análise de imagens de câmeras de segurança que registraram a ocorrência.

No momento da prisão, José Laurentino estava de férias em Recife (PE), enquanto Vinícius foi localizado na Capital. Segundo o advogado da família de Rafael, a prisão preventiva foi determinada devido à gravidade dos fatos.
Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas residências dos policiais, com apreensão de celulares e documentos que podem auxiliar na investigação.
De acordo com o boletim de ocorrência, Rafael apresentava comportamento descontrolado na Rua Santo Augusto, por volta das 18h.
Ele invadiu um mercado, derrubando prateleiras e afirmando que estava sendo perseguido. Os funcionários tentaram acalmá-lo até a chegada da polícia.
Quando os PMs chegaram, o rapaz estava do lado de fora, seminu, repetindo que seria morto e pedindo para chamar a polícia.
Os policiais alegam que em determinado momento, ele teria os desacatado e mostrado resistencia. Os militares utilizaram spray de pimenta e dois disparos de arma de choque para contê-lo.
De acordo com a defesa da família, as gravações desmentem o que foi relatado pelo policiais.
“Rafael foi jogado no chão, algemado, levou socos, chutes, choque e spray de pimenta. Para a defesa, ele passou por uma sessão de tortura praticada por policiais militares”, disse.
As imagens mostram que, ao chegar os PMs logo algemam Rafael, mesmo após estar contido, ele continuou sendo agredido. Momentos depois, um dos agentes joga a vítima ao chão e as agressões ficam mais graves.
Os soldados alternam entre agressões com cassetete, spray de pimenta, taser e tapas em Rafael.
O laudo pericial indicou traumatismo craniano como causa da morte, contrariando a versão inicial da PM, que alegou necessidade de força para conter o surto.
Rafael chegou à UPA sem sinais vitais, mas foi reanimado por uma médica. No entanto, morreu pouco depois enquanto aguardava encaminhamento para a Santa Casa de Campo Grande. O caso foi registrado na Depac Cepol como morte decorrente de intervenção de agente do Estado.






