Filme com DNA coxinense celebra a memória, o Cerrado e o pequi

A cidade de Coxim, seu povo e suas tradições são a fonte de inspiração para o curta-metragem “Carne Amarela”, cujas gravações foram encerradas neste domingo (21). No centro da narrativa está o pequi, fruta símbolo do Cerrado que, no curta, representa pertencimento, força, resistência e alimento da memória coxinense.

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Bastidores do curta-metragem. (Foto: Divulgação)

O filme tem DNA local, foi gravado inteiramente na cidade, com moradores atuando pela primeira vez no audiovisual e uma equipe majoritariamente formada por coxinenses, reunindo saberes tradicionais, talento regional e formação técnica.

O filme é dirigido por Gleycielli Nonato Guató e produzido por Marcus Teles, ambos naturais de Coxim. “Carne Amarela” nasce de dois textos de Gleycielli — o poema Carne Amarela e o conto É Tempo de Ouro no Cerrado — obras que preservam lembranças de uma Coxim marcada por matas, rios e frutas. A diretora explica que o filme busca reencontrar essa paisagem quase perdida.

“Eu quero trazer a infância que vivi. A gente saía para caçar pequi, pegava ingá, comia goiaba no pé, trazia caju para fazer doce. Coxim era meu ‘Sítio do Picapau Amarelo’. Hoje, muitos lugares onde eu brincava viraram bairros. O filme é um lembrete do que ainda existe e do que não pode desaparecer.”

Gleycielli Nonato Guató.

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Bastidores do curta-metragem. (Foto: Divulgação)

Na obra, a fruta típica de Mato Grosso do Sul também simboliza um alerta para a preservação do Cerrado.

“O pequi já sustentou muitas famílias. Trouxe renda, trouxe mistura, trouxe nutrição. Ele resiste ao fogo, resiste ao tempo, mas não resiste ao machado. O filme quer despertar o sentimento de pertencimento e preservação, para que as próximas gerações vejam valor no que tantas vezes sustentou Coxim.”

Gleycielli Nonato Guató.

A protagonista, Zoraide, é inspirada nas mulheres que moldaram Gleycielli: sua mãe, tias, avó e bisavó. A personagem carrega traços de todas elas e é interpretada por Maria Agripina, mãe da diretora e pioneira do teatro coxinense.

Além disso, todos os cargos de direção são ocupados por mulheres, fortalecendo a presença feminina no audiovisual sul-mato-grossense. A equipe é formada majoritariamente por profissionais de Coxim, como Robertson Isan Vieira (artesão ceramista premiado) e José Carlos Soares (cabeleireiro e designer de imagem experiente).

Para o produtor executivo e corroteirista Marcus Teles, filmar em Coxim não foi uma escolha apenas estética, mas ética e afetiva.

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Equipe que trabalhou no projeto. (Foto: Divulgação)

“Coxim faz parte da nossa formação pessoal e artística. Os textos que deram origem ao filme nasceram daqui. A luz, a paisagem, o modo de vida, o jeito como o pequi aparece na cidade, tudo isso faz parte da essência da história. Filmar em Coxim é garantir autenticidade.”

Marcus Teles.

Conforme o produtor, oito moradores da cidade trabalharam pela primeira vez no audiovisual, acompanhados de profissionais experientes. Entre eles está Breno Moroni, conhecido por interpretar o personagem Mascarado na icônica novela A Viagem.

A expectativa da equipe é que o filme leve Coxim para o Brasil e para o mundo por meio de festivais. O projeto conta com investimento da PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), do Governo Federal, através do Ministério da Cultura, operacionalizado pelo Governo do Estado, por meio da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.

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