Leão XIV celebra primeiro Natal como papa e critica exclusão de pobres e imigrantes

O papa Leão XIV celebrou, na noite desta quarta-feira (24), os ritos de Natal pela primeira vez desde que foi eleito, em maio, para suceder o papa Francisco (1936–2025). Durante a missa solene na Basílica de São Pedro, no Vaticano, o pontífice destacou que a história do nascimento de Jesus em um estábulo deve servir de alerta aos cristãos de hoje.

Segundo Leão XIV, recusar ajuda a pobres e estrangeiros equivale a rejeitar o próprio Deus. “Na Terra, não há lugar para Deus se não há lugar para a pessoa humana. Recusar um é recusar o outro”, afirmou durante a celebração, acompanhada por cerca de 6 mil pessoas dentro da basílica.

Papa Leão XIV celebra sua 1ª Missa de Natal - Foto: Guglielmo Mangiapane/Reuters
Papa Leão XIV celebra sua 1ª Missa de Natal – Foto: Guglielmo Mangiapane/Reuters

Com o cuidado com imigrantes e pessoas em situação de pobreza como temas centrais do início de seu pontificado, Leão disse que o nascimento de Jesus revela a presença de Deus em cada pessoa e a dignidade infinita do ser humano. “Onde há lugar para a pessoa humana, há lugar para Deus. Até mesmo um estábulo pode se tornar mais sagrado do que um templo”, declarou.

O papa também citou uma frase do papa emérito Bento XVI (1927–2023) ao lamentar que o mundo não cuide das crianças, dos pobres e dos estrangeiros. Sem citar diretamente governos, Leão já havia criticado políticas migratórias consideradas polarizadoras, como as defendidas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Do lado de fora da basílica, cerca de 5 mil fiéis acompanharam a celebração por telões montados na Praça de São Pedro. Sob forte chuva em Roma, muitos usavam capas e guarda-chuvas. Antes do início da missa, Leão XIV saiu para cumprimentar os fiéis reunidos na praça.

Apelo pela paz e críticas à corrida armamentista

Em mensagem preparada para o Dia Mundial da Paz, celebrado em 1º de janeiro e divulgada antecipadamente, o papa fez um apelo por uma paz “desarmada e desarmante”. Ele defendeu o desarmamento e aconselhou cristãos — especialmente autoridades políticas — a se inspirarem em Jesus Cristo, que, segundo o pontífice, travou uma luta “desarmada”.

Leão XIV criticou a corrida armamentista global, com o aumento das despesas militares, associada a discursos que difundem a ideia de que a segurança deve ser garantida pelas armas. Também condenou o uso bélico da inteligência artificial, afirmando que a tecnologia tem “radicalizado a tragédia nos conflitos armados”.

Na mensagem, o papa citou o uso de drones guiados por IA em conflitos como o da Faixa de Gaza, alertando para o risco de se delegar às máquinas decisões sobre a vida e a morte. “Está-se a delinear um processo de desresponsabilização dos líderes políticos e militares”, advertiu.

Segundo ele, trata-se de “uma espiral de destruição sem precedentes, que compromete o humanismo jurídico e filosófico do qual qualquer civilização depende”.

Há cerca de sete meses no cargo, Leão XIV afirmou que a construção da paz exige diálogo, confiança mútua e abertura entre culturas e tradições. “É desejável que cada comunidade se torne uma ‘casa de paz’, onde se aprende a neutralizar hostilidades por meio do diálogo, se pratica a justiça e se conserva o perdão”, disse. “Hoje, mais do que nunca, é preciso mostrar que a paz não é uma utopia.”

Nesta quinta-feira (25), o papa celebra a missa do dia de Natal e fará a tradicional mensagem e bênção “Urbi et Orbi” (à cidade e ao mundo), transmitida para fiéis de todo o planeta.

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