Tecnologia, interatividade e a participação direta do telespectador mudaram a forma de fazer jornalismo comunitário em Mato Grosso. Mas a essência permanece a mesma: ser ponte entre a comunidade e o poder público. É com esse princípio que a Rede Matogrossense de Comunicação (RMC), celebra 60 anos de história, relembrando reportagens que mostram o jornalismo comunitário em ação.
As demandas chegam, muitas vezes, por aplicativo de mensagem. Vídeos enviados por moradores revelam problemas que fazem parte da rotina da cidade: buracos que surgem com as chuvas, vazamentos de água, esgoto escorrendo por avenidas e situações que se arrastam por anos sem solução.

Em uma das reportagens do especial, um vídeo chamou a atenção da equipe: um vazamento em plena Avenida Ana Hélia Ribeiro, uma das regiões mais valorizadas de Cuiabá, próxima ao Centro Político Administrativo. A água escorria pela via, levantando suspeita de esgoto e gerando indignação entre moradores.
A equipe foi até o local. O roteiro seguiu o caminho que se tornou marca do jornalismo comunitário: a comunidade aponta, a reportagem apura e cobra providências. Moradores relataram que o problema persistia havia cerca de quatro anos e que o mapeamento da drenagem nunca havia sido apresentado.
A cobrança chegou ao poder público. A Secretaria de Obras foi acionada, assim como a Secretaria de Infraestrutura, para esclarecer a origem do problema e apresentar soluções. O resultado veio: o vazamento de água foi solucionado, com correção da drenagem, impedindo que o problema voltasse a atingir a pista.
A investigação, no entanto, continuou. A equipe passou a apurar a origem do possível esgoto identificado no local, para que o responsável, prédio ou empreendimento, fosse notificado. “Cobrar, mas também reconhecer”, como destaca o próprio especial, é um dos pilares desse modelo de jornalismo.
A essência permanece
Os formatos mudaram ao longo dos anos. As câmeras ficaram mais leves, os equipamentos mais ágeis, os drones ampliaram o olhar e a tecnologia permitiu enquetes e interações em tempo real. Ainda assim, a essência do jornalismo comunitário da TV Centro América segue intacta.
Para Cleto Kipper, editor-chefe e apresentador do MT1, o compromisso com a verdade é o que sustenta o jornalismo comunitário. “O que a gente mostra no ar é o que a gente vive fora da televisão, junto com o público. Quando paramos para ouvir, ouvimos do mesmo jeito que mostramos. É essa verdade que guia o nosso trabalho, e o público sente isso.”
Estar nos bairros, ouvir quem vive o problema, cobrar soluções e acompanhar os resultados. Ao completar seis décadas, a RMC reforça um compromisso que atravessa gerações: dar voz à comunidade e transformar reclamações em mudanças concretas na vida das pessoas. Confira a reportagem especial completa abaixo:






