Gramíneas e leguminosas melhoram ganho de peso de bovinos

Um estudo da Embrapa Cerrados em parceria com a UnB (Universidade de Brasília) confirmou que o sistema de ILP (Integração lavoura-pecuária) com consórcio de leguminosas e gramíneas forrageiras promovem uma melhora no ganho de peso animal, reduzem a emissão de metano (CH₄) e eleva o acúmulo de carbono no solo.

Pesquisa avalia influência de diferentes estratégias no ganho de peso de nelores BRGN.
Pesquisa avalia influência de diferentes estratégias no ganho de peso de nelores BRGN. (Foto: Thais Rodrigues de Sousa – Embrapa Cerrado)

Durante a pesquisa, foram avaliadas como diferentes estratégias de intensificação na pecuária influenciam o ganho de peso de bovinos nelore BRGN, a emissão de metano entérico e o acúmulo de carbono no solo.

Ao todo, três sistemas de produção foram analisados, sendo:

  • Uma pastagem contínua solteira de capim BRS Piatã (S1); 
  • Uma pastagem contínua de BRS Piatã consorciada com a leguminosa feijão-guandu IAPAR 43 (S2);
  • Uma pastagem em rotação com lavoura (ILP) de capim BRS Zuri (S3).

De acordo com o estudo, os animais apresentaram maior ganho de peso nos sistemas mais intensificados, sendo de 0,44 kg (S1); 0,69 kg (S2) e 0,76 kg (S3). Desta forma, constatou-se que o ganho de peso animal por dia no sistema S3 e S2 cresceu 72% e 56% respectivamente, na comparação com a pastagem contínua solteira (S1).

O impacto ambiental também foi menor nos sistemas integrados, a redução da emissão de metano no sistema consorciado foi de 60% e no sistema rotacionado foi de 49% frente à pastagem solteira. O estoque de carbono no solo na camada de 0 – 30 cm seguiu a mesma tendência, sendo maior nos sistemas integrados, com destaque para o S2, que inclui a leguminosa.

As descobertas fazem parte da tese de doutorado da bolsista Thais de Sousa, desenvolvida com a colaboração dos pesquisadores da Embrapa Cerrados: Arminda de Carvalho, Roberto Guimarães Junior e Robélio Marchão. Sob orientação da professora da UnB, Lucrécia Ramos.

Emissões de GEE

A pesquisa aponta que é possível intensificar a produção pecuária, ganho de peso animal e, ao mesmo tempo, reduzir as emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa).

Os sistemas quando bem manejados, seja com a inclusão de leguminosas ou com a rotação lavoura-pecuária, melhoram o balanço geral, possibilitando o aumento na produção de carne, diminuindo a emissão de metano e aumentando o armazenamento de carbono no solo.

Resultados anteriores obtidos na mesma área experimental demonstraram que os sistemas integrados também reduzem emissões de N20 (óxido nitroso) em até 59%. Confirmando que o consórcio de pastagens com leguminosas e rotação com lavoura tornam a pecuária mais sustentável e resiliente.

Atualização dos sistemas de manejo

As recomendações voltadas ao uso de leguminosas em consórcio com pastagens estão sendo atualizadas. Em setembro de 2025, foi publicada uma nova circular técnica com orientações para a introdução do guandu-anão em consórcio com capim-braquiária, em sistema de plantio direto.

“As plantas forrageiras têm sido utilizadas como espécies de duplo propósito ou plantas de serviço, podendo atuar tanto como pastagens nas áreas de integração com a pecuária quanto como plantas de cobertura nas áreas agrícolas, desempenhando papéis específicos na melhoria do sistema de produção”, apontou o pesquisador Robélio Marchão.

De acordo com a equipe da Embrapa Cerrados, o consórcio com guandu-anão melhora o valor nutritivo da forragem e a qualidade do solo, aumentando a disponibilidade de nitrogênio para a gramínea.

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