O documentário “Zahran, Um Sonho no Ar”, lançado em dezembro, resgata a trajetória da RMC (Rede Mato-grossense de Comunicação) e a importância para a televisão no Centro-Oeste. A produção é apresentada e narrada pelo jornalista, apresentador e diretor do núcleo de documentários da TV Globo, Pedro Bial, que conduz o público entre o passado e o presente.
Durante a produção do documentário, o Primeira Página conversou com Pedro Bial, que contou sobre a experiência de visitar Campo Grande e poder contar a história da criação da RMC, que integra a TV Morena em MS e a TV Centro América em Mato Grosso. Além da relação com o estado e o olhar atento às histórias produzidas fora do eixo Rio-São Paulo.
Segundo Bial, a passagem por Campo Grande teve sentimento de reencontro, ou quase de estreia.
“Tenho a impressão de que a única vez que vim a Campo Grande foi há mais de 40 anos. Então, com certeza, Campo Grande não era o que é hoje e eu também não era o que sou. É como se fosse uma primeira vez”, afirmou.
O jornalista destacou o fascínio pelo Centro-Oeste, que define como um “coração geográfico e simbólico do Brasil”. Embora já tenha passado rapidamente pelo Pantanal, durante a caravana do Jornal Nacional em 2006, Bial disse que ainda pretende vivenciar a região com mais calma.
“Foi muito impactante, mas muito rápido. Estou numa condição muito propícia ao jornalista, que é ver as coisas como se fosse pela primeira vez. Acho que é um compromisso do jornalismo manter a capacidade de se surpreender”, ressaltou.
Atualmente à frente do núcleo de documentários da Rede Globo, Pedro Bial explicou que a migração para a produção documental foi um caminho natural de sua carreira. Ele lembrou que começou no cinema ainda jovem, no fim da década de 1970, e que, ao longo dos anos, transitou entre jornalismo e entretenimento.
“Quando assumi o horário que era do Jô, em 2017, percebi que a televisão estava mudando. Eu tinha uma equipe com grande domínio da linguagem documental, e começamos a produzir conteúdos para o Globoplay, que ainda engatinhava nesse formato”, explicou.
Entre os marcos dessa fase, Bial citou produções como Em Nome de Deus, sobre João de Deus, documentários biográficos e a série Vale o Escrito, que classificou como o trabalho mais importante de sua carreira.
“Foi um sucesso extraordinário e consolidou essa vocação. Hoje, estou praticamente dedicado só a isso”, afirmou.
Durante a visita a Campo Grande, Pedro Bial também participou de um encontro com profissionais do audiovisual sul-mato-grossense. A experiência, segundo ele, foi especialmente estimulante.
“Me surpreendeu a quantidade e a qualidade dos projetos apresentados, além da diversidade de olhares. Tinha realizadores muito jovens e outros mais experientes, todos movidos pelas mesmas ambições”, destacou.
Para Bial, o momento atual do audiovisual brasileiro é marcado por uma transformação profunda. Ele prefere o termo “multipolarização” à ideia tradicional de descentralização.

“O Brasil é grande demais para ser entendido a partir de um único ponto de vista. Hoje temos produções fortes no Sul, no Nordeste, no Norte, no Centro-Oeste. Histórias que só podem ser contadas por quem vive nesses lugares”, afirmou.
O jornalista citou exemplos recentes de reconhecimento nacional de produções regionais e ressaltou que esse movimento amplia as possibilidades narrativas do país.
“Nossa singularidade está em olhar para perto, para nossa aldeia, e contar essas histórias para o mundo”, completou.
Sobre a participação no documentário que celebra os 60 anos da RMC, Pedro Bial afirmou que se sentiu honrado com o convite.
“É um orgulho poder contribuir. Estou sendo muito bem recebido e o Roberto Leite me transmite muita confiança. Ele sabe contar uma história. Acho que esse documentário vai ser um presente para todos”, concluiu.
Zahran, Um Sonho no Ar
O documentário “Zahran, Um Sonho no Ar” estreou no dia 12 de dezembro de 2025, na TV Morena e na TV Centro América. A produção apresenta a trajetória de uma família pioneira da televisão em Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, liderada pelo empresário Ueze Elias Zahran, fundador da Rede Mato-grossense de Comunicação.
A direção é do cineasta Roberto Leite, responsável por transformar a história do grupo RMC em uma narrativa cinematográfica que celebra os 60 anos da rede, iniciados com a inauguração da TV Morena, em 1965, e da TV Centro América, em 1969.
Quem não assistiu ou deseja rever o documentário pode acessar a produção pelo Globoplay.






