
Uma confusão envolvendo o vereador Elinho Júnior (Progressistas), a esposa dele e um vendedor ambulante terminou em agressão na tarde desse sábado (27), em Corumbá.
Ao Primeira Página, o ambulante José Elizeu Lara Navarros, de 41 anos, contou que trabalha vendendo salgados há quatro meses nas ruas da cidade, para obter uma renda e ajudar a família.
No dia do ocorrido, José relatou que estava retornando à residência onde mora, quando parou a bicicleta que usa para transportar o isopor contendo os alimentos, em frente a uma lanchonete localizada na rua Delamare.
Porém, à reportagem, ele afirmou que não tinha a intenção de vender os salgados no local, apenas que estava conversando com a esposa pelo celular.
“Saiu a esposa dele [do vereador] toda apurada falando: ‘você não pode vender aqui’. Começou a falar um monte de asneira. Eu falei: ‘dona a rua é pública, eu posso vender onde eu quiser. Pela lei, que eu saiba, a rua não é proibido vender’. Ela disse: ‘vamos ver, vou chamar a polícia’. Eu falei para ela chamar que eu vou esperar. Ela voltou e falou que chamou o marido”, contou.
Durante a confusão entre o vendedor e a mulher, o vereador Elinho Júnior aparece bastante alterado, mandando José sair do local. Nesse momento, o ambulante começou a gravar a forma com que foi tratado.
“Eu que sou o dono. […] Você não vem encher o saco da minha mulher .[…] Se eu te pegar aqui você vai apanhar”, disse o vereador, enquanto empurra a bicicleta do vendedor.
Na gravação, a esposa do vereador aparece e diz para ele “apagar esse vídeo”. O ciclista atravessa a rua, mas o casal continua o seguindo, até o instante em que o político quebra o isopor contendo alguns salgados.
“Minha dignidade, minha bicicleta, meu isopor, tudo foi pelo ralo. A primeira renda que eu tinha era minha máquina de roçar, mas ela queimou. Vender salgado era minha segunda opção de renda”, afirmou José, que agora está sem a principal fonte de trabalho.
À reportagem, o profissional relatou que chegou a ir até a delegacia para registrar um boletim de ocorrência, mas foi orientado por uma pastora a deixar o caso “para lá”. Até o momento, a polícia não foi procurada pelos envolvidos.
“Perdi a cabeça”
Procurada pela reportagem, a assessoria do vereador encaminhou um vídeo, na qual Elinho se retrata sobre o ocorrido. Na gravação, o político afirma que em “um momento de raiva”, perdeu a cabeça e “errou na forma de agir”.
“Eu assumo isso, mas antes do vídeo começar a ser gravado, houve ofensas direcionadas à minha esposa, e quando mexe com a família da gente, a emoção fala mais alto, a gente age errado. Ainda assim, eu sei que deveria ter agido diferente. Por isso, peço desculpa pela minha reação, não é assim que eu acredito que as coisas têm que se resolver, mas aconteceu, e como sou homem, trabalhador e pai de família, e sempre vivi respeitando as pessoas, é isso que eu quero dizer para vocês”, afirmou.






