Portugal realiza, neste domingo, eleições presidenciais, nas quais a extrema direita busca colocar seu candidato no segundo turno. As seções eleitorais abriram às 08h locais para 11 milhões de eleitores. Pesquisas de boca de urna serão conhecidas a partir das 20h locais. Segundo as últimas pesquisas de opinião, André Ventura, presidente do partido de extrema direita Chega, poderia liderar a votação, embora este deputado de 42 anos tenha poucas chances de vencer o segundo turno, em 8 de fevereiro.
O presidente português não tem poderes executivos, mas pode ser chamado a desempenhar um papel de árbitro em caso de crise, pois tem o direito de dissolver o Parlamento para convocar eleições legislativas. Após semanas de uma campanha com desfecho incerto, o candidato socialista António José Seguro parece ter uma pequena vantagem nas pesquisas frente ao eurodeputado liberal João Cotrim Figueiredo para assumir a segunda posição.
Um total de 11 candidatos, um número recorde, disputam o cargo de chefe de Estado. O vencedor substituirá o conservador Marcelo Rebelo de Sousa, eleito duas vezes em primeiro turno. Ventura disputou as eleições presidenciais de 2021, quando obteve 11,9% dos votos e terminou na terceira posição. Desde então, seu partido não parou de crescer, até alcançar 22,8% dos votos e 60 deputados nas legislativas de maio passado, superando o Partido Socialista como principal força da oposição ao governo do conservador Luis Montenegro.
A campanha de Ventura foi marcada por críticas à imigração e à União Europeia. Ele encerrou a campanha pedindo para os outros partidos de direita não “pôr obstáculos” a um eventual segundo turno com o candidato socialista. No entanto, em seu último comício, ele voltou a elevar o tom, ao se negar a tentar “agradar todo mundo” e prometer “por ordem” no país.
O candidato socialista António José Seguro jogou a cartada do candidato integrador e moderado, defensor da democracia e dos serviços públicos. “Chamo todos os democratas, todos os progressistas e todos os humanistas a concentrarem seus votos na nossa candidatura”, declarou no último dia de campanha. “Precisamos de um presidente que melhore este país porque a saúde, a educação, tudo tem que ser reconstruído”, disse Sofia Taleigo, uma vendedora de frutas de 55 anos em um mercado do sul de Lisboa.



