O promotor de Justiça João Marcos de Paula Alves afirmou, nesta quinta-feira (22), que Raquel Cattani teve o ciclo de vida interrompido por um “plano macabro”, durante o julgamento que apura o assassinato da produtora rural, morta em julho de 2024, em Nova Mutum (MT). Segundo a acusação, o crime foi motivado por controle, violência psicológica e não aceitação do fim do relacionamento.
Segundo o Ministério Público, Raquel teve a vida interrompida não apenas pela brutalidade das mais de 34 facadas, mas por um contexto de controle, perseguição e violência psicológica que antecedeu o crime.

Reconhecimento profissional e violência
Durante a sustentação oral, o promotor destacou a trajetória profissional da vítima e o que chamou de motivação central do crime. “Ao contemplarmos o sofrimento de Raquel, percebemos a brutalidade do crime. Ela conquistava reconhecimento nacional através de seu trabalho, sem depender do nome de ninguém. Estava em ascensão, produzindo”, disse.
Para a acusação, o sucesso profissional da produtora rural teria se tornado um fator de incômodo para o ex-marido. “Para aquela pessoa possessiva, o sucesso alheio incomodava. O agressor, um homicida, um matador de mulheres, não almejava apenas frustrar os seus sonhos, mas extinguir a sua vida, seu projeto de vida e o futuro de seus filhos”, afirmou o promotor.
Versão da defesa
Do outro lado, o ex-marido da vítima, Romero Xavier Mengarde, negou envolvimento no assassinato durante depoimento prestado nesta quinta-feira (22). Ele afirmou que a separação do casal partiu dele e disse que, embora não houvesse formalização em cartório, o relacionamento já estaria encerrado havia cerca de 30 dias.
Romero também declarou que comunicou o fim da relação aos pais de Raquel e que se mudou para Lucas do Rio Verde para reorganizar a própria vida após o término. O depoimento ainda estava em andamento até a última atualização desta reportagem.
Também responde pelo crime o cunhado da vítima, Rodrigo Xavier Mengarde. Segundo a acusação, Romero teria planejado o assassinato e encomendado o crime ao próprio irmão, que teria executado Raquel dentro da casa onde ela morava, mediante pagamento de R$ 4 mil.
Raquel era filha do deputado estadual Gilberto Cattani.

O julgamento
O julgamento ocorre no Fórum de Nova Mutum e é presidido pela juíza Ana Helena Alves Porcel Ronkoski. A sessão começou por volta das 8h20, com o sorteio dos sete jurados.
O primeiro a depor foi o delegado Guilherme Pompeo, que detalhou como a Polícia Civil chegou à conclusão de que Rodrigo foi o autor das facadas e que o crime teria sido planejado por Romero. Ele descreveu sinais de arrombamento, lesões de defesa na vítima e destacou que dados de celular e registros de internet foram fundamentais para reconstituir a dinâmica do assassinato.
Na sequência, o delegado Edmundo Félix de Barros Filho confirmou os resultados da investigação. Segundo ele, Rodrigo não tinha vínculo com Raquel nem motivo próprio para cometer o crime. O delegado relatou ainda um histórico de controle, perseguição e violência psicológica atribuídos a Romero, além de indícios claros de planejamento.

Relato da mãe da vítima
Ainda pela manhã, foi ouvida Sandra Cattani, mãe de Raquel. Em um depoimento marcado pela emoção, ela contou como encontrou a filha morta dentro da residência, falou sobre a separação definitiva do casal e descreveu o impacto do crime na vida dos filhos da vítima.
À tarde, prestaram depoimento testemunhas indicadas pela defesa, entre elas Marcos Bilibio, além de Anderson de Barros Sampaio e Samoel Marcos da Conceição. Eles relataram encontros com Romero na noite do crime, principalmente em bares e casas noturnas, apresentados como tentativas de sustentar álibis.
O crime
O assassinato ocorreu em julho de 2024. Raquel Cattani foi encontrada morta dentro da própria casa, no assentamento Pontal do Marapé, a cerca de 130 quilômetros de Nova Mutum.
De acordo com a Polícia Civil, Romero não aceitava o fim de um relacionamento de aproximadamente dez anos e teria criado diversos álibis para tentar despistar as investigações, incluindo encontros com ex-sogros, participação em churrascos e idas a boates na cidade de Tapurah (MT).



