A redução de vagas no Instituto Mirim, divulgada na última quinta-feira (29), tem causado comoção entre ex-participantes do projeto, que destacam a importância social e formativa do programa para adolescentes da comunidade. Aos 25 anos, Jéssica Dias, que participou do Instituto Mirim em 2015, afirma que a experiência foi um divisor de águas em sua vida pessoal e profissional.
“Ser mirim é como eu me identifico até hoje. Foi ali o meu primeiro contato com o mundo corporativo, fora do ambiente escolar”, relembra. Segundo ela, o projeto ensinava desde comportamento profissional até noções básicas de convivência, como agir em ambiente de trabalho e responsabilidade.
Jéssica conta que, por muitos anos, o Instituto Mirim foi visto na cidade como sinônimo de excelência profissional. Segundo ela, eles não podiam entregar menos que o melhor.
A ex-mirim relata que ficou profundamente abalada ao tomar conhecimento de uma reportagem que apontava o possível corte de mais de 200 adolescentes do programa. “Aquilo me doeu muito. Porque há 10 anos eu tive essa oportunidade que me forjou como profissional. E agora várias 'Jéssicas' podem não ter a mesma chance.”
Ela destaca que, para muitas famílias, o Instituto Mirim representa mais do que aprendizado. “Tem adolescentes que ajudam na renda de casa. No meu caso, era um complemento importante. Esse projeto é essencial para a cidade, para os lares.”
Jéssica ressalta que nunca havia visto um corte tão significativo no projeto, que sempre foi visto notícias de aumento, mas nunca um corte tão grande.
Ela termina dizendo que espera que mais adolescentes tenham a oportunidade de fazer parte.
O 'facão'
Para cortar gastos, ao invés de acabar com supersalários e “folha secreta”, a prefeita Adriane Lopes (PP) irá reduzir a quantidade de adolescentes que trabalham na prefeitura de Campo Grande através do Programa Mirim, do IMCG (Instituto Mirim de Campo Grande).
De acordo com publicação feita no Diogrande (Diário Oficial de Campo Grande) na quinta-feira (29), o quantitativo máximo de adolescentes atendidos foi reduzido de 420 para 200. Segundo a justificativa, a mudança pretende adequar o programa a demanda real dos órgãos da administração pública municipal.



