O contador Marcelo Rodrigues de Arruda é apontado como um dos alvos da Operação ‘CNPJ na Cela’, deflagrada na manhã desta terça-feira (3), pelo Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Mato Grosso (Cira-MT). Ele é investigado por atuar na gestão operacional de um grupo criminoso envolvido em diversos casos de sonegação fiscal na comercialização de grãos.
As apurações foram conduzidas em inquérito policial instaurado na Delegacia Especializada de Crimes Fazendários (Defaz), que identificou a abertura de aproximadamente 21 empresas, sendo Marcelo responsável por parte delas.
Em entrevista ao PP, Marcelo negou as acusações, confirmando apenas um serviço realizado em Rondonópolis, município citado pela Defaz por abrigar uma empresa registrada com endereço de uma penitenciária.
“Fui pego de surpresa pela manhã na minha casa, numa abordagem de cumprimento de mandato. Até onde eu descobri, é uma empresa de Rondonópolis que está ligada ao meu nome. Eu só fiz esse serviço em Rondonópolis, mas não tenho mais contato com essa pessoa de lá”, disse ele.
Questionado sobre a abertura de outras empresas no município de Várzea Grande, o contador também negou qualquer participação no trâmite. Apesar disso, o nome dele aparece como ‘nome fantasia’ de uma empresa localizada no bairro Glória, na cidade vizinha à capital.
Os mandados de busca e apreensão são cumpridos em Rondonópolis e Várzea Grande, além da penitenciária de Rondonópolis. Entre os itens apreendidos estão telefones celulares e computadores.

A investigação aponta a sonegação de aproximadamente R$ 190 mil; no entanto, o valor pode ser maior. Segundo a apuração, o grupo utilizava um esquema estruturado de fraude fiscal, baseado no uso de cadastros e documentação de ‘laranjas’ para simular uma capacidade operacional inexistente na prática.
O esquema incluía a simulação de atividade rural e a coleta de dados pessoais, muitas vezes de pessoas humildes ou com vínculos com o sistema prisional, para a criação de empresas de fachada. Os investigadores constataram endereços inexistentes ou incompatíveis com a atividade declarada.
O Cira-MT é uma força-tarefa composta pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por meio da 14ª Promotoria de Justiça de Defesa da Ordem Tributária, pela Polícia Civil, pela Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz), pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e pela Controladoria-Geral do Estado (CGE).
A ação integra a Operação Inter Partes e conta com apoio da Polícia Civil de Rondonópolis e da Secretaria de Estado de Justiça de Mato Grosso (Sejus-MT), que prestam suporte operacional e logístico.



