O Perigo Silencioso do Mofo em Ambientes Úmidos
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O mofo é um problema de saúde pública que pode causar desde reações alérgicas leves até condições respiratórias graves e complexas. Este fungo microscópico é um bioagressor que se reproduz por meio da liberação de milhões de esporos minúsculos no ar, partículas invisíveis a olho nu que são inaladas com facilidade. Além dos esporos, as colônias de mofo produzem e liberam no ambiente alérgenos potentes, irritantes químicos voláteis (MVOCs) e, em certas condições e para algumas espécies, micotoxinas – substâncias potencialmente tóxicas cujos efeitos a longo prazo são alvo de contínua pesquisa científica.
Para uma parcela significativa da população, a exposição a esses agentes desencadeia reações alérgicas. Essas reações podem ser imediatas, com sintomas que mimetizam uma rinite alérgica intensa: congestão nasal, espirros em salva, coriza aquosa, coceira e vermelhidão nos olhos. O contato direto com superfícies mofadas pode provocar dermatite de contato, com erupções cutâneas e coceira localizada.
Para os milhões de brasileiros que convivem com a asma, a presença do mofo é particularmente perigosa. Esporos podem estar presentes antes mesmo do mofo ser visível. Em indivíduos asmáticos alérgicos aos fungos, a inalação dos esporos pode funcionar como um gatilho poderoso para crises severas, com broncoespasmo, tosse e profunda falta de ar, muitas vezes exigindo intervenção médica de urgência.
Os efeitos do mofo não se restringem a pessoas com alergias diagnosticadas. A exposição ao mofo também pode irritar as mucosas de indivíduos sem qualquer predisposição alérgica. Olhos lacrimejantes, garganta arranhando, tosse seca e sensação de pressão no peito são queixas comuns em ambientes contaminados, sintomas que melhoram sensivelmente ao se deixar o local.
O perfil de risco é ainda mais grave para grupos populacionais vulneráveis. Bebês e crianças, cujos sistemas respiratório e imunológico estão em desenvolvimento, são mais suscetíveis. Idosos e pessoas com o sistema imunológico comprometido (por doenças ou tratamentos médicos) não só têm maior risco de desenvolver infecções fúngicas oportunistas nos pulmões, como também podem apresentar reações mais intensas aos alérgenos.
A exposição crônica em ambientes mofados também tem sido associada, em estudos clínicos, a uma piora no controle de doenças respiratórias pré-existentes, como a bronquite crônica e a doença pulmonar obstrutiva crônica.
Além das doenças claramente alérgicas ou irritativas, a ciência investiga a relação entre a exposição prolongada a ambientes com mofo e outros sintomas sistêmicos, muitas vezes chamados de síndrome do edifício doente. Pacientes relatam cansaço inexplicável e persistente, dores de cabeça frequentes, dificuldades de concentração, lapsos de memória e dores musculares e articulares difusas.
Embora a causalidade direta seja complexa de estabelecer e esses sintomas não sejam específicos, a melhora após a remoção do foco de mofo e a mudança para um ambiente saudável é um indicativo forte da influência do ambiente na saúde geral.
A possibilidade de exposição a micotoxinas, embora menos comum em ambientes domésticos típicos, levanta questões sobre potenciais efeitos neurológicos e imunológicos que demandam cautela e mais pesquisas.
Para evitar o mofo, é necessário controlar a umidade, ventilar os ambientes e manter a limpeza. O uso de desumidificadores elétricos de ambiente, a ventilação cruzada e a manutenção predial são medidas essenciais. Além disso, hábitos simples, como usar exaustores no banheiro e na cozinha, não guardar roupas e calçados úmidos e evitar encostar móveis diretamente na parede, podem fazer grande diferença.
Quando o mofo já se instalou, a limpeza deve ser feita com cuidado. Para pequenas áreas, uma solução de água sanitária diluída em água pode ser eficaz. No entanto, para infestações extensas ou em casos em que há moradores com graves problemas de saúde, a contratação de uma empresa especializada em remediação de mofo é a atitude mais segura.



