O número de casos de câncer segue em crescimento no Brasil e reforça a necessidade de ampliar a prevenção e o diagnóstico precoce. A doença, que ainda figura entre as principais causas de morte no país, exige atenção contínua da população, especialmente no cuidado com a própria saúde e na realização periódica de exames.
Mesmo com avanços na medicina, muitos pacientes ainda recebem o diagnóstico em fases avançadas, quando o tratamento se torna mais complexo e as chances de cura diminuem. A resistência em procurar atendimento médico, o medo do diagnóstico e a falta de acompanhamento regular contribuem para esse cenário.

Diante desse contexto, o oncologista Cleberson Queiroz destaca que falar sobre câncer de forma aberta e responsável é essencial para combater o medo e estimular as pessoas a buscarem acompanhamento médico.
Conforme o especialista, os tipos de câncer mais comuns no Brasil continuam sendo os de pele não melanoma, mama entre as mulheres e próstata entre os homens, seguidos pelos cânceres de pulmão e intestino. Muitos desses casos estão ligados a fatores de risco evitáveis.
“Não fumar, evitar o consumo excessivo de álcool, manter o peso sob controle, adotar uma alimentação rica em vegetais e praticar atividade física regularmente são medidas simples, mas extremamente eficazes”, orienta.
País deve registrar 781 mil novos casos por ano
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, segundo a publicação Estimativa 2026–2028: Incidência de Câncer no Brasil. O número representa um aumento de aproximadamente 9,86% em relação à estimativa anterior. Sem considerar os tumores de pele não melanoma, a projeção é de cerca de 518 mil novos casos anuais.
Para Cleberson Queiroz, esses números reforçam a importância do diagnóstico precoce. Ele explica que muitos tipos de câncer podem ser curados quando identificados em estágios iniciais, além de permitir tratamentos menos agressivos e com menor impacto na qualidade de vida do paciente.
O oncologista alerta ainda que, nas fases iniciais, a doença pode não apresentar sintomas evidentes. “Em muitos casos, a doença não causa sintomas no começo. Por isso, exames de rastreamento são fundamentais, mesmo para pessoas que se sentem bem. Qualquer sintoma ou alteração que não desapareça em cinco a sete dias deve ser investigado”, diz.
Tratamento e qualidade de vida
O tratamento do câncer envolve uma abordagem multidisciplinar, com atuação integrada de diferentes profissionais da saúde, garantindo um cuidado mais completo e humanizado.
Os avanços na oncologia têm possibilitado tratamentos mais eficazes, com cirurgias menos invasivas, medicamentos mais específicos e exames diagnósticos mais precisos. Mesmo quando a cura não é possível, essas evoluções contribuem para mais tempo de vida com qualidade.
Para quem adia consultas ou exames por medo, o médico deixa um recado direto: “Faça da sua saúde uma prioridade. Quando a saúde não vai bem, todo o resto é impactado. Cuidar de si hoje é investir no futuro”.



