A disputa pelas duas vagas ao Senado em Mato Grosso do Sul está aprofundando a fragmentação da direita no Estado, dificultando a construção de uma estratégia unificada para as eleições deste ano. Esse excesso de pré-candidatos da direita está favorecendo as pré-candidaturas de partidos do centro e da esquerda.
Até o momento, são seis pré-candidatos a senadores apenas pela direita, sendo quatro somente do Partido Liberal (PL) – o ex-governador Reinaldo Azambuja, o ex-deputado estadual Capitão Contar, o deputado federal Marcos Pollon e a vice-prefeita de Dourados, Gianni Nogueira –, um do Partido Progressista (PP) – deputado estadual Gerson Claro – e um independente – Oswaldo Meza (sem partido).
Essa fragmentação dentro da direita está demonstrando que ela avança de forma descoordenada na montagem das chapas ao Senado, pois a ausência de dois nomes definidos para a disputa das duas vagas ao Senado tem empurrado partidos e lideranças para projetos paralelos, enfraquecendo essa ala política.
Enquanto Azambuja e Contar têm o apoio da executiva nacional do PL, Gianni e Pollon tentam emplacar as próprias pré-candidaturas, ameaçando até a troca de legenda para levar adiante os projetos políticos de ambos. Gerson Claro, por outro lado, tenta convencer as lideranças do PP, mas não pensa em deixar o partido.
O advogado Oswaldo Meza não tem partido ainda, mas se descreve como um político da extrema direita. Enquanto a direita não se entende quanto aos dois nomes que vão representar essa vertente política, quem se beneficia são os pré-candidatos ao Senado de partidos do centro, como os senadores Nelsinho Trad (PSD) e Soraya Thronicke (Podemos), bem como os da esquerda, como o deputado federal Vander Loubet (PT) e Beto do Movimento (PSOL).
Avaliações de especialistas apontam para a fragmentação das pré-candidaturas ao Senado pelos partidos da direita como consequência direta de um racha interno. “Esse excesso de postulantes às duas vagas é um sinal claro de um problema interno”, afirma Aruaque Fressato Barbosa, diretor do Instituto de Pesquisa Resultado (IPR).
Ele destaca que a direita precisa entender que essa quantidade de pré-candidatos vai favorecer um candidato de centro. “Um candidato que for mais moderado pode levar o segundo voto, principalmente o segundo voto, porque esse nicho aí de direita e de extrema-direita tem dificuldade de entrar para centro e esquerda e alguém mais moderado pode captar esses votos”, analisa.
O cientista político Tercio Albuquerque reforça que há um excesso de pré-candidatos da direita. “A expressão excesso se refere a um exagero de indicações, porque obviamente não existe um limite para esse momento de pré-campanha, de pré-candidatura”, declara.
Ele acrescenta que estamos naquele momento de balão de ensaio, em que vários nomes são postos à disposição para daí então ver a aceitação para qual se inclina com mais intensidade, que tem mais possibilidades efetivas de ser eleito. “Isso é o que está acontecendo neste momento”, argumenta.
Tercio Albuquerque ressalta que a inconsistência no que deveria ter já um direcionamento objetivo e, portanto, como não tem, isso vai atrapalhar a direita em vez de auxiliá-la. “Pode demonstrar que há uma falta de sintonia no próprio partido e na própria federação e isso vai acabar atrapalhando, porque outros candidatos já posicionados estarão caminhando com mais objetividade na busca da confirmação da sua candidatura a partir do momento em que as convenções se realizarem”, alerta.





