Com mais de 640 mil bovinos abatidos em janeiro de 2026, Mato Grosso registrou um recorde histórico no volume de abates, sendo o maior já contabilizado para o mês. A informação é do relatório semanal do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), que apontou ainda um aumento de 5,45% em relação a dezembro de 2025.
Os números refletem uma maior oferta e o avanço no descarte de fêmeas após o período de reprodução. Do volume total abatido, 310,55 mil cabeças foram fêmeas, o que representa um crescimento de 21,36% na comparação com o mês anterior, enquanto o abate de machos somou 330,49 mil cabeças, com queda de 6,13% no mesmo período.
Nesse cenário, a participação das fêmeas no total de animais enviados aos frigoríficos aumentou 6,35 pontos percentuais. O avanço nos abates ocorre em um momento de maior pressão sobre os preços do boi gordo em Mato Grosso.

Queda nos preços
Em janeiro, a arroba foi negociada, em média, a R$ 296,43, registrando queda de 0,96% no mês e recuo de 6,33% em relação a janeiro do último ano. Apesar do crescimento no curto prazo, os dados apontam sinais de possíveis mudanças de tendência no médio prazo.
Na comparação anual, o abate de fêmeas apresentou recuo de 5,86% frente a janeiro de 2025. Segundo o relatório, o cenário indica um movimento de redução no descarte de matrizes, com impacto futuro sobre a disponibilidade de bezerros e a dinâmica de preços no estado.
Para fevereiro, a expectativa do setor é de queda no volume de abates, em função do menor número de dias úteis e do feriado de Carnaval, o que pode contribuir para ajustes na oferta e na formação de preços ao longo das próximas semanas.
Destaque na exportação
Ainda em 2025, Mato Grosso se destacou na exportação de carne bovina, representando 23,1% de todas as exportações do produto feitas pelo Brasil. Ao todo, cerca de 978,4 mil toneladas da proteína foram destinadas a 92 países. Da picanha destinada à culinária ao sebo que vira biodiesel, praticamente todas as partes do boi têm destino, valor e mercado internacional.
Miúdos como coração, fígado e língua atendem à demanda culinária tradicional em países da África e Ásia, enquanto produtos como couro e sebo são exportados para polos industriais que os transformam em bens de moda, cosméticos ou até biodiesel.



