O Centro Político em Movimento

A eleição presidencial de 2024 está ganhando forma, com dois pólos bem definidos: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro. No entanto, entre esses dois extremos, existe um espaço político significativo que é frequentemente chamado de centro, mas é heterogêneo e envolve partidos do Centrão.

É nesse terreno intermediário que Gilberto Kassab, presidente do Partido Social Democrático (PSD), está ganhando destaque. Kassab construiu sua força política por meio da habilidade de organizar e manter lideranças diversas, sem recorrer a uma identidade ideológica rígida. A recente filiação de Ronaldo Caiado ao PSD, juntamente com Ratinho Júnior e Eduardo Leite, evidencia essa estratégia.

O PSD passa a abrigar três nomes com densidade eleitoral e perfis distintos, todos potencialmente presidenciáveis. Kassab afirma que é “zero” a chance de o PSD não lançar candidato à Presidência, sinalizando menos uma decisão personalista e mais uma lógica de maximização de possibilidades num cenário altamente fragmentado.

Essa forma de atuação não se ancla em discursos redentores nem em promessas de ruptura. Ao contrário, baseia-se na mediação, no cálculo político e na ocupação estratégica do espaço institucional. Em um ambiente marcado pela exaustão do confronto binário, essa racionalidade pragmática passa a dialogar com um eleitorado que busca previsibilidade, governabilidade e redução de conflitos.

Os números ajudam a explicar a centralidade do PSD. O partido conta hoje com 14 senadores, 47 deputados federais e se tornou o partido com maior número de prefeituras conquistadas nas eleições municipais de 2024, saltando de 657 em 2020 para cerca de 887 municípios.

Trata-se de uma capilaridade territorial expressiva, somada à capacidade de atrair quadros competitivos de outras legendas. Kassab sustenta que o eleitorado brasileiro tende a se dividir em três terços: um alinhado a Lula, outro a Bolsonaro, e um terceiro que se distancia de ambos. É justamente nesse último segmento que o PSD aposta, não como movimento ideológico, mas como plataforma política capaz de oferecer alternativas viáveis em um sistema saturado de antagonismos.

A indefinição sobre quem será o candidato presidencial do partido pode ser lida como parte da estratégia. Ela permite ao PSD retirar votos dos polos mais radicalizados no primeiro turno e, ao mesmo tempo, posicionar-se como ator central em eventuais arranjos de segundo turno – seja liderando uma candidatura, seja tornando-se parceiro decisivo em uma coalizão.

Em um país polarizado e com lideranças personalistas, a engenharia silenciosa de Kassab – pouco carismática, mas altamente funcional – pode mudar substantivamente o quadro eleitoral de 2024.

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