Nas últimas 24 horas, pelo menos dois moradores de Campo Grande caíram em golpes aplicados por estelionatários que se passaram por representantes do STJ (Superior Tribunal de Justiça). Estes não são os primeiros casos.

Em ambos os casos, os criminosos utilizaram uma tática idêntica: fingiram ser advogados das vítimas e, posteriormente, se passaram por representantes do Corte para validar uma suposta liberação de valores judiciais.
Conforme os boletins de ocorrência, o golpe começa com uma mensagem de WhatsApp. Os criminosos utilizam fotos de advogados reais para ganhar a confiança das vítimas, informando que uma ação judicial foi vencida. O “gancho” é a afirmação de que, para receber o dinheiro, um representante do STJ entrará em contato.
A participação desse suposto funcionário do tribunal dá um ar de “oficialidade” à fraude. Os criminosos chegam a realizar chamadas de vídeo para orientar as vítimas a acessarem seus aplicativos bancários em tempo real.
No primeiro caso, registrado por uma mulher de 43 anos, os estelionatários utilizaram o nome de um advogado. Após a mensagem, ela recebeu uma chamada de vídeo de um suposto representante do STJ.
Induzida ao erro, a vítima foi orientada a concentrar seus saldos em uma única conta para “viabilizar o recebimento”. Sob a alegação de que precisava de um saldo equivalente a um salário mínimo para liberar o crédito, ela acabou realizando duas transferências que somaram R$ 6.050,00.
O dinheiro foi enviado para a conta de um terceiro.
Tentativa frustrada no Buriti
Poucos minutos depois, outra tentativa foi registrada. Desta vez, um homem de 33 anos recebeu mensagens em nome de outra advogada, afirmando que o suposto cliente teria direito a receber R$ 47.652,00 de um processo contra um banco.
Assim como no caso anterior, pessoa se passando por funcionário do STJ, entrou em contato via chamada de vídeo. No entanto, a vítima desconfiou das instruções, encerrou a ligação e ligou diretamente para sua advogada real.
Graças à agilidade em checar a informação, não houve prejuízo financeiro, mas o homem registrou o boletim por receio de que sua imagem facial, capturada durante a chamada de vídeo, seja usada em outras fraudes.
Como se proteger
A polícia e especialistas em segurança digital alertam para alguns pontos fundamentais:
- O STJ não telefona para partes: órgãos do Judiciário não entram em contato por WhatsApp ou chamada de vídeo para solicitar transferências ou acesso a aplicativos bancários.
- Cheque com o seu advogado: nunca realize pagamentos ou transferências baseadas apenas em mensagens de texto. Ligue para o número fixo do escritório ou vá pessoalmente ao local.
- Cuidado com chamadas de vídeo: criminosos usam a imagem da vítima para burlar sistemas de reconhecimento facial de bancos (biometria).
A Polícia Civil investiga os casos para identificar os titulares das contas receptoras e os responsáveis pelas linhas telefônicas utilizadas.


