Promotoria abre inquérito para verificar irregularidades em novo balneário em Ribas do Rio Pardo

A promotoria de Ribas do Rio Pardo iniciou um inquérito civil para analisar as irregularidades nos trâmites que culminaram na desapropriação da Fazenda Paraíso do Sul, destinada à construção de um novo balneário municipal. O antigo balneário, localizado no Córrego Mantena, às margens da BR-262, foi desativado após a instalação da fábrica de celulose da Suzano, que assumiu o compromisso de criar um novo espaço de lazer e ainda não cumpriu o prazo.

Inicialmente, a promotora havia recomendado o arquivamento da denúncia apresentada pelas proprietárias, mas a Procuradoria de Justiça manteve a abertura de investigação. As proprietárias contestam a concessão de licença ambiental pelo Imasul com base em alegações de que o balneário receberá mais de 100 pessoas, o que demandaria novos estudos de impacto ambiental, além de questionarem o cumprimento da legislação durante a desapropriação.

O estudo que fundamentou a licença ambiental indicou que quase não havia vegetação nativa no local escolhido, a cerca de 7 quilômetros de Ribas do Rio Pardo, às margens da MS-340. As proprietárias ainda afirmam que a prefeitura ignorou avaliações técnicas ao considerar apenas 9,1 hectares da fazenda, pagando R$ 33 mil por hectare, enquanto outras áreas também seriam afetadas pelo represamento do Córrego Engano.

Em setembro de 2023, a Suzano ofereceu R$ 170 mil por hectare para compra de parte da fazenda, mas as proprietárias exigiram indenização também pelos seis hectares que seriam alagados. A despeito da recusa, a prefeitura desapropriou a área em maio de 2024, três meses antes do início das operações da fábrica, conforme relatado pelas proprietárias Maria Cristina Baracat Pereira e Maria Angela Baracat Cotrin.

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