A análise do cenário global de 2026 mostra que a criação do Board of Peace (BoP) por Donald Trump foi uma resposta à obsolescência das instituições do século 20. A burocracia europeia ainda se apega a dogmas, enquanto Trump percebeu a falência da ONU, que se tornou um fórum de paralisia burocrática. Ele propôs um pragmatismo transacional como nova gramática de governança global, aproveitando o vácuo institucional que já havia levado à expansão do Brics.
Historicamente, o Brics se consolidou mais como um reflexo do descontentamento com a hegemonia do G7 do que como uma aliança coesa. A estratégia da política externa americana demonstra inteligência ao explorar as fissuras dessa estrutura idealizada pela China. O Brics+ abriga tensões entre exportadores de energia e importadores asiáticos, e o BoP se insere precisamente nesse contexto, enfraquecendo o Brics ao oferecer acesso direto ao poder econômico e militar.
Ao instituir uma taxa de US$ 1 bilhão por um assento permanente, Trump não está apenas “vendendo influência”, mas filtrando a relevância. Para países como Índia, Arábia Saudita e Brasil, a oferta é atraente: passar de “sócio minoritário” da China para sócio direto na gestão da economia global sob a influência do dólar. Essa dinâmica altera irreversivelmente a ordem internacional, ao retirar da Rússia e da China seu poder de veto, tornando o Brics e a ONU cada vez mais irrelevantes.
Trump compreendeu que, no atual caos institucional, a influência é conquistada por resultados rápidos. O Board of Peace representa uma nova ordem em que a diplomacia é substituída pela negociação executiva. Se a iniciativa prosperar, a história poderá registrar que o fim da rivalidade sistêmica não veio de um conflito, mas de uma reconfiguração do tabuleiro, evidenciando o triunfo da realpolitik sobre o idealismo.






