ESG em MS: Discurso Sustentável X Práticas Questionáveis

O conceito ESG, que engloba preocupações ambientais, sociais e de governança, ganhou destaque no início da década, buscando alinhar crescimento econômico com responsabilidade socioambiental e solidez institucional. Apesar de um certo arrefecimento no cenário global, a agenda ESG persiste no Brasil, especialmente em discursos de empresas e instituições.

Em Mato Grosso do Sul, a sigla tornou-se comum entre governantes e o setor produtivo. Termos como governança, compliance e responsabilidade social são cada vez mais frequentes nas falas de líderes empresariais, como os da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (Fiems). O governo estadual anunciou metas ambiciosas, incluindo a neutralidade de carbono até 2030, um compromisso relevante diante da crise climática.

Eventos como o promovido pela Lide em Bonito, focado em sustentabilidade e com a presença de políticos, empresários e líderes de federações como a Fiems, evidenciam a relevância do tema. O protagonismo das entidades locais demonstra a intenção de alinhar o desenvolvimento do estado aos valores de responsabilidade ambiental e social.

Contudo, a credibilidade do discurso ESG é abalada por práticas que revelam graves problemas de governança e integridade. A coexistência entre o compromisso com o compliance e episódios envolvendo dirigentes de sindicatos ligados à Fiems expõe uma contradição gritante.

Um exemplo é o fechamento de uma padaria em Campo Grande pela vigilância sanitária. O proprietário do estabelecimento era o presidente do Sindicato das Indústrias de Panificação e Confeitaria do Estado de Mato Grosso do Sul (Sindepan-MS), ligado à Fiems, que, inclusive, havia divulgado a eleição do empresário em seu .

Outro caso envolve o presidente do Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados de Mato Grosso do Sul (Sicadems), cuja dívida com a União, superior a R$ 200 milhões, não foi incluída em seu pedido de recuperação judicial, um processo que exige transparência e responsabilidade. Essa omissão questiona os critérios éticos das lideranças setoriais.

A realidade demonstra que Mato Grosso do Sul precisa, mais do que discursos, de ações alinhadas aos princípios ESG. Sustentabilidade, responsabilidade social e governança não podem ser meros adornos retóricos. O desafio é aplicar esses valores de forma concreta, ética e transparente. O estado necessita de mais ESG – e, fundamentalmente, de mais integridade.

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