Um estudo recente revela que o paraíso do ecoturismo em Bonito, conhecido internacionalmente por suas águas cristalinas e paisagens exuberantes, enfrenta uma crescente ameaça devido à devastação ambiental intensificada entre 1985 e 2023. A análise, que compilou dados de diversas fontes, incluindo o MapBiomas, alerta para o risco iminente à qualidade da água e à biodiversidade local, colocando em xeque a principal atividade econômica da região.
O avanço da monocultura da soja surge como um dos principais vilões. A área de plantio da oleaginosa registrou um aumento alarmante de mais de 1000% no período analisado, saltando de 0,4% para 7% do território municipal. Essa expansão, em detrimento da vegetação nativa, desencadeia uma série de impactos negativos, como a degradação da qualidade da água, erosão do solo e perda da biodiversidade.
A pesquisa também aponta para a contaminação ambiental por metais pesados e o uso intensivo de agrotóxicos, que representam um risco à saúde da fauna, flora e, inclusive, da população humana, devido à bioacumulação ao longo da cadeia alimentar.
A Bacia Hidrográfica do Rio Miranda, que abrange 94% do município de Bonito, é crucial para a região e influencia diretamente rios cênicos como o Formoso e o da Prata. Os ecossistemas mais sensíveis, localizados próximos a Bonito, estão particularmente vulneráveis aos impactos ambientais.
A deterioração da qualidade da água pode afetar significativamente o Produto Interno Bruto (PIB) de Bonito, estimado em R$ 1,2 bilhão. O setor de serviços, impulsionado pelo turismo, representa 40% da economia local, que recebe anualmente mais de 300 mil visitantes. A agropecuária, com 36% do PIB, também desempenha um papel importante.
O estudo destaca ainda o papel da pastagem como um fator de impacto negativo, juntamente com a soja. Entre 1985 e 2023, a área ocupada por pastagens apresentou uma flutuação, com um aumento expressivo de mais de 600 mil hectares.
Diante desse cenário, a nota técnica enfatiza a necessidade urgente de medidas para proteger a biodiversidade e a qualidade da água. Entre as recomendações, constam a realização de estudos técnicos mais rigorosos para o licenciamento de atividades econômicas, o respeito às faixas de preservação ao longo dos corpos d’água e a implementação de um zoneamento ecológico-econômico municipal.
O governo estadual informou estar desenvolvendo ações para preservar os recursos hidrogeológicos em Bonito, com a colaboração de técnicos da administração estadual, da prefeitura e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A primeira reunião de trabalho ocorreu em fevereiro.





