A espera por benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em Mato Grosso do Sul apresentou um aumento significativo nos últimos seis meses, com a fila mais que dobrando. Dados recentes do Ministério da Previdência Social (MPS) revelam um crescimento de 106% em um ano. Em dezembro de 2024, 18.622 pessoas aguardavam a análise de seus benefícios, enquanto em junho deste ano, esse número saltou para 38.534.
Os benefícios por incapacidade lideram a lista de espera, com 9.308 requerentes aguardando há até 45 dias e outros 9.034 na fila por mais de 45 dias.
Advogados previdenciários apontam que o aumento da fila pode ter caráter sazonal, mas também pode estar relacionado à recente possibilidade de solicitação administrativa de ressarcimento de cobranças indevidas, o que ampliou a demanda sobre o sistema. Essa sobrecarga afeta tanto a concessão quanto o processamento de revisões e requerimentos administrativos.
De acordo com especialistas, os atrasos do INSS prejudicam milhares de brasileiros que dependem do órgão para garantir seu sustento, comprometendo o planejamento financeiro dos segurados.
O aumento expressivo no volume de requerimentos também é apontado como um fator contribuinte para o agravamento da fila. Em 2024, o INSS recebeu, em média, 1,4 milhão de novos pedidos por mês, um número consideravelmente maior do que a média de 1 milhão registrada em 2023.
A lei estabelece um prazo máximo de 60 dias para a conclusão de processos administrativos pelo INSS. No entanto, muitos segurados enfrentam atrasos superiores a quatro meses. A orientação é que, caso o benefício não seja analisado dentro do prazo, o segurado tem o direito de entrar com uma ação judicial.
Em Mato Grosso do Sul, 28,8 mil aposentados e pensionistas do INSS que foram vítimas de descontos ilegais em seus benefícios podem solicitar o ressarcimento ao governo federal. Até o dia 19, 29,1% dos beneficiários que têm esse direito no Estado já tinham aderido ao acordo de ressarcimento proposto.
A medida visa atender pessoas que foram vítimas de descontos ilegais feitos por entidades associativas, em um esquema descoberto pela Controladoria-Geral da União (CGU) que resultou em operação da Polícia Federal (PF). O caso levou à demissão do então presidente do INSS e à troca do ministro da Previdência Social.





