Durante uma audiência pública na Câmara Municipal, a prefeita de Campo Grande, Adriane Lopes, comentou sobre a proposta de gestão por Organizações Sociais (OSs) nas unidades de saúde da cidade. Ela enfatizou que a implementação será feita com cautela e que a decisão final dependerá da avaliação da população ao longo do período experimental. A proposta surge em um contexto de protestos de servidores e representantes da sociedade civil que são contrários à medida.
O projeto, apresentado pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, envolve a transferência da gestão dos centros regionais do Tiradentes e do Aero Rancho para uma organização social, com um prazo inicial de um ano. A Secretaria defende que essa mudança visa modernizar a gestão, aumentar a eficiência e reduzir custos. A prefeita ressaltou que a proposta SE baseia em experiências bem-sucedidas de outras cidades brasileiras e que dados apontam para um aumento na satisfação dos usuários após a adoção desse modelo.
Marcelo Vilela destacou que o custeio mensal de cada unidade está estimado em R$ 4,3 milhões e que, com a privatização, a economia poderia alcançar cerca de R$ 400 mil por unidade. As unidades foram selecionadas por serem financiadas exclusivamente pelo município, e a gestão de mais de 1,7 mil unidades no Brasil já é feita por entidades privadas.
Apesar do suporte da Secretaria, a prefeita enfatizou que qualquer decisão será tomada com responsabilidade, levando em conta a opinião pública e os impactos nas condições de trabalho dos profissionais de saúde. O Conselho Municipal de Saúde já SE manifestou contra a proposta, questionando sua efetividade e sugerindo que o foco deve ser um maior investimento na gestão direta do sistema de saúde.
O Sindicato dos Médicos também SE opõe à proposta, argumentando que os problemas da rede municipal SE concentram na falta de leitos e na gestão de recursos, não no modelo administrativo. No Legislativo, o debate permanece polarizado. Alguns vereadores expressam preocupação e demandam mais discussões, enquanto outros apoiam a proposta como uma solução para os gargalos históricos da saúde pública em Campo Grande.
A administração municipal informa que a proposta não SE configura como uma privatização tradicional, mas como uma estratégia de gestão com metas claras e fiscalização constante. O projeto prevê que servidores efetivos sejam transferidos para outras unidades, enquanto a organização social ficaria encarregada da administração, contratações e aquisições.






