Oferecer petiscos para cães e gatos é uma prática comum entre tutores, mas o exagero pode ter consequências graves para a saúde dos animais. O médico veterinário Antônio Defanti Júnior alerta que a principal preocupação não é o tipo de petisco em si, mas sim o desequilíbrio nutricional que ele pode causar. O consumo excessivo de calorias resulta em ganho de peso, levando à obesidade, que é um fator de risco para uma série de doenças inflamatórias e problemas articulares, além de diabetes e complicações no coração.
Defanti destaca que alimentos gordurosos, como picanha e queijo, podem desencadear pancreatite, uma inflamação aguda no pâncreas que requer atendimento de emergência. Essa condição pode levar a consequências sérias e rápidas, mostrando que o que parece um agrado inofensivo pode ter um custo elevado para a saúde do pet.
O veterinário também observa que a frequência no oferecimento de petiscos pode alterar o comportamento alimentar dos animais, que passam a rejeitar ração balanceada e a desenvolver seletividade alimentar. Isso resulta em deficiências nutricionais, uma vez que os pets deixam de consumir alimentos completos.
Outros riscos à saúde dos animais incluem a ingestão de alimentos comuns na dieta humana, como cebola, alho, uvas e xilitol, que são altamente tóxicos para cães e gatos. Pequenas quantidades desses ingredientes podem causar intoxicações sérias, especialmente quando estão presentes em preparos caseiros, aumentando a exposição sem que os tutores percebam.
As recomendações incluem a moderação no oferecimento de frutas e legumes cozidos, como maçã, banana, cenoura e frango sem tempero para cães. Para gatos, pequenas porções de frango ou peixe cozido são indicadas, além de petiscos desidratados. Contudo, o exagero ainda é um erro comum, já que natural não significa que pode ser liberado em qualquer quantidade.
Além da alimentação, muitos tutores confundem comida com afeto, utilizando petiscos como a principal forma de interação com seus animais. O veterinário ressalta que o ideal é que os petiscos sirvam como complemento à interação e ao reforço positivo, e não como base da dieta. Atividades físicas e brincadeiras são alternativas saudáveis que promovem o bem-estar do animal.






