A Justiça de Mato Grosso do Sul decidiu conceder liberdade provisória ao despachante David Cloky Hoffman Chita, que é réu em um inquérito que investiga um esquema de fraudes em vistorias de veículos no Detran. A decisão foi publicada no Diário da Justiça nesta segunda-feira (4). David, que ficou foragido por dois anos, foi preso em dezembro do ano passado por uma equipe da Garras, em uma residência localizada na Rua 26 de Agosto, no centro de Campo Grande.
Na sentença, o juiz substituiu a prisão de David Cloky por medidas cautelares rigorosas. O despachante deverá utilizar tornozeleira eletrônica por um período inicial de 180 dias, além de estar proibido de acessar qualquer instalação do Detran e de se comunicar com outros envolvidos no caso. O processo segue sob sigilo judicial.
David Cloky é apontado como o líder de um esquema de fraudes que teria causado prejuízos significativos ao erário. As investigações revelam que o esquema envolvia a facilitação de vistorias e a regularização irregular de veículos. Ele teve a prisão decretada e passou um extenso período na clandestinidade antes de ser ouvido pela Justiça. Em janeiro de 2023, o despachante participou de uma audiência de instrução e julgamento na 3ª Vara Criminal de Campo Grande, onde também foram ouvidas a ex-servidora do Detran Yasmin Osório Cabral, atualmente em prisão domiciliar, e os despachantes Hudson Romero Sanches e Edilson Cunha Nogueira, além de testemunhas indicadas pelo Ministério Público.
O processo está sob a responsabilidade do MPMS, que denunciou David Cloky e outros servidores públicos, como Genis Garcia Barbosa, Eufrásio Ojeda e Abner Aguiar Fabre, pelo envolvimento nas fraudes praticadas no Detran. O histórico criminal de David Cloky inclui condenações na Operação Vostok, que apurou um desvio de propina que era destinada a um corretor de gado.
As investigações tiveram início a partir da solicitação de regularização de um caminhão, cujo proprietário buscava a exclusão de gravame e a troca do motor. Para isso, contratou os serviços do despachante, que adulterou informações no cadastro, como dados sobre carroceria, eixo, PBT (Peso Bruto Total), CMT (Capacidade Máxima de Tração) e carga, sem que o veículo passasse pelos processos regulares necessários.
As fraudes foram registradas em agências do Detran em Miranda e Campo Grande. Na Capital, houve manipulação da cor do veículo, cancelamento do CRV (Certificado de Registro de Veículo) e emissão de um novo documento. As irregularidades ocorreram entre julho de 2019 e setembro de 2020, com um pagamento de R$ 1 mil. Os envolvidos foram alvos da Operação Miríade, deflagrada pela Polícia Civil em 2023.






