A TV Brasil Play exibe gratuitamente, em homenagem aos 80 anos de nascimento de Rogério Sganzerla, duas produções marcantes da filmografia do cineasta. Nascido em 4 de maio de 1946, Sganzerla é um dos principais nomes do cinema marginal brasileiro, movimento que floresceu nas décadas de 1960 e 1970. As obras selecionadas para a ocasião são O Bandido da Luz Vermelha, lançado em 1968, e Nem Tudo é Verdade, de 1986.
Conhecido por sua estética singular que combina sátira, absurdo e subversão narrativa, Sganzerla foi influenciado por grandes figuras do cinema, como Orson Welles e Jean-Luc Godard. Seu trabalho frequentemente dialoga com os clichês dos filmes noir e das pornochanchadas, refletindo uma visão crítica e inovadora da sociedade brasileira. O cineasta faleceu em 9 de janeiro de 2004, aos 57 anos, em decorrência de um câncer no cérebro, deixando um legado com mais de 20 filmes.
O Bandido da Luz Vermelha, considerado um clássico do cinema brasileiro, é um drama policial que narra a história de Jorge, interpretado por Paulo Vilhaça, um assaltante de residências em São Paulo. Com apenas 22 anos na época da filmagem, Sganzerla constrói uma narrativa em que o protagonista utiliza métodos inusitados para realizar seus crimes, criando um vínculo com suas vítimas e enfrentando uma série de desafios, incluindo a traição e a autodestruição.
Por outro lado, Nem Tudo é Verdade apresenta uma abordagem inovadora ao reconstituir a visita de Orson Welles ao Brasil nos anos 1940, quando ele tentava filmar o documentário It's All True. A obra, que mescla documentário e ficção, explora a política de boa vizinhança entre Brasil e Estados Unidos, além de discutir a cultura brasileira através de eventos populares e desigualdades sociais. O elenco inclui Arrigo Barnabé, Grande Otelo e Helena Ignez, destacando a riqueza cultural do país.
A exibição dessas obras na TV Brasil Play não só celebra a memória de Rogério Sganzerla, mas também convida o público a revisitar e refletir sobre a importância de sua contribuição ao cinema nacional, que ainda ressoa nas produções contemporâneas. Com uma estética que desafiava as convenções da época, Sganzerla permanece uma figura central no panorama cinematográfico do Brasil.






