Mesmo diante de um cenário de juros elevados e incertezas econômicas, Campo Grande consegue manter um crescimento econômico superior à média nacional. A combinação da expansão do setor de serviços com um mercado de trabalho aquecido e o aumento do comércio exterior tem sido fundamental para o desempenho positivo da cidade em 2026. Os dados constam na 53ª edição do Boletim Econômico da Prefeitura de Campo Grande, elaborado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável (Semades), com informações até abril.
Para este ano, a expectativa é que o Produto Interno Bruto (PIB) de Campo Grande cresça cerca de 2,5%. Esse resultado é considerado significativo, especialmente em um ambiente econômico restritivo, onde setores que dependem de financiamento, como o comércio de bens duráveis, enfrentam dificuldades. Enquanto outras partes do Brasil apresentam desaceleração, a capital sul-mato-grossense se sustenta, principalmente, no setor de serviços, que continua sendo o principal motor da economia local.
O boletim destaca que a recuperação econômica começou a ganhar força no segundo semestre de 2025, embora o comércio ainda esteja retomando de forma lenta e a indústria enfrente desafios, especialmente devido ao desempenho negativo no setor de refino de petróleo e biocombustíveis. No mercado de trabalho, os dados mostram um aquecimento significativo, com a criação de 1.428 novas vagas formais em março, resultando em um saldo positivo em todos os setores da economia. No total, em 2026, já foram gerados 2.999 novos empregos, com destaque para a construção civil e os serviços.
Campo Grande se destaca também por ter uma das menores taxas de desemprego do Brasil, atualmente em 3,1%, um indicador que reflete a melhora na ocupação e o fortalecimento da atividade econômica. O secretário municipal de Meio Ambiente, Gestão Urbana e Desenvolvimento Econômico, Turístico e Sustentável, Ademar Silva Junior, enfatiza que a diversificação econômica tem sido um fator crucial para a cidade.
Além disso, o saldo comercial positivo alcançou US$ 90,1 milhões, o maior registrado para um primeiro trimestre desde 1997. Os principais destinos das exportações incluem Estados Unidos, China e Chile, enquanto as importações vêm principalmente da Bolívia, China e Argentina. O boletim também ressalta o avanço nas relações comerciais relacionadas à Rota de Integração Latino-Americana (RILA), com mais de 30% do comércio exterior de Campo Grande envolvendo países do corredor sul-americano, em especial pela importação de gás natural boliviano.
Ademar Silva Junior observa que esse desempenho reforça o papel estratégico de Campo Grande na região e evidencia o impacto positivo das políticas voltadas à melhoria do ambiente de negócios e à atração de investimentos. Apesar do quadro favorável, o boletim alerta que a economia local exige cautela nos próximos meses, já que os juros altos, as pressões inflacionárias e a instabilidade externa podem afetar o ritmo de crescimento da capital ao longo de 2026.






