Mato Grosso do Sul pode enfrentar temperaturas extremas e mudanças climáticas neste ano

Mato Grosso do Sul se prepara para um cenário climático instável, com a previsão de duas frentes frias que poderão reduzir as temperaturas a partir do próximo final de semana e na primeira semana de junho. O meteorologista Natálio Abraão esclareceu que a frente fria mais próxima não deve provocar temperaturas mínimas tão baixas quanto as observadas na última semana, mas a segunda frente, prevista para o início de junho, promete ser mais intensa e gelada.

O inverno deste ano pode apresentar frentes frias com intervalos mais curtos em comparação aos anos anteriores. Em decorrência do fenômeno El Niño, espera-se que julho traga chuvas acima da média, um desvio das condições climáticas comuns, já que esse mês historicamente registra pouca precipitação. Abraão apontou que o El Niño está deixando o modo neutro, conforme indicam os modelos do ECMWF (Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo), o que aumenta a probabilidade de recordes de temperatura em várias cidades do estado.

Entre os municípios que podem ser mais afetados, Água Clara, Aquidauana e Porto Murtinho já registraram temperaturas extremamente altas, sendo que Água Clara enfrentou um calor intenso de 44,6°C em 5 de abril de 2020. O meteorologista destacou que o aquecimento das águas do Pacífico deve continuar, podendo elevar as temperaturas em até 1°C até novembro e dezembro.

A previsão para a primavera também indica um aumento nas temperaturas, associado a chuvas irregulares e concentradas em períodos curtos, o que pode trazer desafios para a agricultura. Abraão ressaltou que a umidade trazida pelos ventos dos oceanos pode resultar em chuvas benéficas, mas também há a preocupação com a possibilidade de enchentes em regiões que não estão preparadas para lidar com essa situação.

De acordo com a análise climática do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), a expectativa para o trimestre de junho a agosto é de temperaturas ligeiramente mais altas do que o normal, além de uma distribuição irregular das chuvas. Este cenário apresenta riscos para os setores agropecuário, de recursos hídricos, energético e de saúde pública, exigindo um monitoramento constante das condições meteorológicas.

O Cemtec também destacou que há 92% de probabilidade de o El Niño se desenvolver durante o trimestre, podendo alcançar níveis moderados a fortes entre a primavera e o início do verão. Essa situação é propensa a gerar ondas de calor mais frequentes e intensas, necessitando de atenção especial devido à variabilidade climática da região.

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