A Avenida Guaicurus, que se estende por 10,6 quilômetros em Campo Grande, é uma via de grande relevância para a história da cidade. O local, que foi parte da antiga Fazenda Bálsamo, onde viveu a família do fundador José Antônio Pereira, abriga o Museu Histórico José Antônio Pereira. Contudo, a atual situação da avenida, especialmente na área do Jardim Monte Alegre, contrasta com seu significado histórico, revelando um cenário de abandono e descaso.
As margens da Avenida Guaicurus, ao redor do museu, são marcadas por invasões, acúmulo de lixo e entulhos, além de calçadas em péssimas condições. Apesar da presença de áreas verdes, a falta de manutenção faz com que esses espaços não atraíam a atenção de quem passa. A avenida também é um importante corredor de ligação entre bairros, mas enfrenta um trânsito intenso, com grande movimentação de caminhões, o que dificulta a percepção de seu valor histórico por parte dos transeuntes.
Quem transita pela Avenida Guaicurus frequentemente se depara com um ambiente que não favorece a circulação, devido à ausência de calçadas adequadas. Além disso, a configuração urbana ao redor do museu evidencia um esvaziamento, com diversas placas de “aluga-se” e portões fechados. O canteiro central da avenida é dominado por torres de transmissão de energia elétrica, que prejudicam ainda mais a paisagem.
Na Rua Zenio Silva, localizada atrás do museu, uma área foi ocupada há 1 ano e 8 meses, onde atualmente 106 famílias residem desde setembro de 2024. Uma cerca delimita o espaço ocupado, criando um contraste entre o patrimônio histórico e a nova realidade da região. Adriano, líder dos ocupantes, menciona que o local estava abandonado antes da ocupação e que o grupo buscou informações sobre o terreno, que enfrenta uma dívida milionária.
Rafael da Silva, um mecânico de 46 anos que vive em frente ao museu, relembra como o local era precário, com pouca iluminação e asfalto, além de ser um ponto crítico para a violência. Ele destaca que as condições atuais ainda são insatisfatórias, com mato alto e necessidade de infraestrutura básica, como calçadas e ciclovias. Para ele, a Avenida Guaicurus deveria ser um símbolo de Campo Grande, mas permanece em estado de abandono.
A situação da Avenida Guaicurus foi comunicada à Prefeitura, que ainda não se pronunciou sobre as reivindicações apresentadas pela comunidade local. O cenário na avenida continua a ser um reflexo dos desafios enfrentados pela cidade, onde a história se choca com a realidade atual.






