Um encontro intitulado “Manejo Clínico de Casos Graves de Chikungunya” foi realizado no Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), parte da Rede HU Brasil. A iniciativa, em colaboração com a Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), reuniu profissionais de diversas especialidades para abordar as manifestações mais severas da chikungunya, que têm exigido respostas rápidas das equipes de saúde e a necessidade de suporte intensivo para pacientes em estado crítico.
Durante as discussões, os especialistas enfatizaram que a chikungunya, tradicionalmente associada a sintomas reumatológicos, tem apresentado quadros clínicos mais complexos, com casos de colapso circulatório, desidratação severa, alterações metabólicas e comprometimentos neurológicos e respiratórios. A infectologista Andyane Freitas Tetila, do HU-UFGD, observou que os Casos Graves refletem um comportamento mais sistêmico da doença, diferindo da visão anterior que a limitava às dores articulares prolongadas.
Andyane destacou a crescente necessidade de internação hospitalar e suporte intensivo, alertando que o aumento de casos com insuficiência respiratória e choque circulatório indica uma resposta inflamatória mais agressiva do vírus do que se pensava anteriormente. A médica ressaltou que a chikungunya deve ser encarada como uma condição que requer atenção intensiva, especialmente em face do aumento de internações e óbitos relacionados.
Além disso, as discussões abordaram a necessidade de reconhecimento precoce das manifestações “hiperagudas” da doença. O médico Pedro Carvalho, que chefia a Divisão Médica do HU-Univasf/HU Brasil, compartilhou experiências obtidas durante a assistência a populações indígenas em Dourados (MS), onde pacientes apresentaram quadros de gravidade inesperada, como choque circulatório e desidratação severa.
Os desafios do atendimento pediátrico também foram destacados nas falas dos especialistas. A médica intensivista pediátrica Nancy Karol Giummarresi Torres apresentou casos críticos envolvendo crianças e lactentes com comprometimentos respiratórios que requereram suporte avançado em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). As discussões também enfatizaram a importância da hidratação venosa rigorosa, as especificidades do cuidado em populações indígenas e a necessidade de ampliar os estudos sobre as manifestações extrarticulares da chikungunya.
O encontro sublinha a urgência de uma nova abordagem no manejo da chikungunya, considerando a evolução dos quadros clínicos e a necessidade de um suporte médico mais intensivo para os pacientes afetados pela doença.






