Flávio Bolsonaro defende ‘expulsão do mal’ durante a Marcha para Jesus em São Paulo

O senador Flávio Bolsonaro (PL) se manifestou durante a Marcha Para Jesus, realizada em São Paulo na quinta-feira (4), destacando a necessidade de enfrentar o que chamou de "mundo do mal" que, segundo ele, comanda o governo brasileiro. Em seu discurso, ele convocou os fiéis a orarem pelo Brasil e afirmou: "Essa guerra é espiritual e hoje é a maior resposta que nós podemos dar ao mundo do mal, que vai ser expulso do governo desse Brasil esse ano. Em nome do nosso senhor Jesus, amém". Esta foi a estreia de Flávio na marcha, que chega à sua 34ª edição.

Em uma conversa com os organizadores do evento, Flávio expressou seu desejo de que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), estivesse presente. Ele reconheceu o desafio emocional que enfrenta, afirmando: "Às vezes a gente acorda com o coração meio apertado, tem que ajoelhar e pedir a Deus para dar aquela força e alegria no coração. E hoje é um dia que está explodindo aqui. Queria muito que meu pai tivesse aqui presente, mas vamos lutar por ele". Jair Bolsonaro atualmente cumpre prisão domiciliar em Brasília, após ser condenado pelo STF a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado.

A Marcha Para Jesus reuniu um número significativo de autoridades, incluindo o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e o prefeito da cidade, Ricardo Nunes (MDB). Também marcaram presença o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o advogado-geral da União, Jorge Messias, cuja indicação ao STF foi recentemente rejeitada pelo Senado. Este evento também simboliza o reencontro público entre Tarcísio e Flávio, que tinham mantido um "distanciamento estratégico" após a divulgação de um áudio em que Flávio cobrava dinheiro do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, que está preso por envolvimento no escândalo do Banco Master.

Após sua participação na marcha, Flávio retornou a São Paulo depois de uma agenda em Minas Gerais, onde esteve de segunda-feira (1º) até quarta-feira (3). Nesse período, o pré-candidato à Presidência da República buscou se distanciar das sanções comerciais que o Brasil enfrenta. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) concluiu investigações sobre práticas desleais do Brasil, sugerindo tarifas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros. Essas recomendações foram divulgadas logo após um encontro de Flávio com o ex-presidente Donald Trump na Casa Branca.

As tarifas propostas ainda precisam passar por etapas internas e dependem da aprovação de Trump, podendo substituir um tarifaço anteriormente anunciado. O Palácio do Planalto relaciona essa movimentação à atuação da família do ex-presidente. Nas redes sociais, aliados do governo começaram a usar o termo "Tariflávio" para vincular o senador às novas medidas comerciais. Nos últimos dias, o presidente Lula tem intensificado suas críticas à oposição, acusando adversários de tentarem articular sanções contra o Brasil por motivos eleitorais, e se referiu a Flávio como "traidor da pátria".

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