No alto do Morro do Corcovado, o Santuário do Cristo Redentor, localizado na zona sul do Rio de Janeiro, trouxe uma novidade para a celebração de Corpus Christi em 2026. Os tradicionais tapetes, que adornam o local, foram confeccionados utilizando a técnica de patchwork, que combina diferentes pedaços de tecidos para criar composições vibrantes e diversificadas. Após a cerimônia religiosa, os tapetes, que são feitos de retalhos, serão expostos em locais e datas que ainda serão divulgados.
A montagem dos tapetes é uma tradição que remonta ao Século 13, quando fiéis decoravam as ruas por onde passava a procissão do Santíssimo Sacramento. Neste ano, o trabalho foi realizado por mulheres em situação de vulnerabilidade social, provenientes de diversas localidades da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, incluindo Seropédica, Nova Iguaçu, Madureira, Irajá, Rocinha, Horto, Cidade de Deus, Santa Teresa, Rio das Pedras e São Gonçalo. Essas mulheres foram atendidas por projetos do Consórcio Cristo Sustentável.
A montagem dos tapetes teve início na madrugada desta quinta-feira (4), reunindo os esforços de duas meses de trabalho em 25 oficinas do projeto. No total, mais de 300 quilogramas de tecidos foram utilizados para criar o mosaico, materiais esses que foram arrecadados por meio de campanhas e parcerias. Às 6h30 da manhã, o cardeal Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, conduziu a cerimônia de Adoração e Bênção do Santíssimo Sacramento, onde os tapetes foram apresentados ao público.
Nos últimos dois anos, a iniciativa de utilizar materiais sustentáveis para as manifestações religiosas no Cristo Redentor tem sido uma prioridade. Em 2024, por exemplo, os tapetes foram confeccionados com materiais como borra de café, casca de ovo e serragem, além do tradicional sal. Os desenhos retrataram os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), as Obras de Misericórdia da Igreja Católica e a imagem de Nossa Senhora, Rainha da Ecologia. Após a celebração, os resíduos foram destinados à Casa Sol, localizada no Jardim Botânico, na zona sul do Rio.
Maria Luíza, Integrante da Paróquia São Rafael, situada em Vista Alegre, zona norte do Rio, destacou a importância de Corpus Christi em sua vida. Ela, que já havia participado de montagens de tapetes com materiais tradicionais, foi convidada a integrar o projeto de patchwork devido à sua ligação com a ONG Colo de Mãe, que colabora com a Casa Sol. "Corpus Christi significa muito para mim, representa a santidade de Jesus, que desceu do céu para estar conosco. O corpo e o sangue dele nos santificam", afirmou Maria Luíza, que se emocionou ao participar da confecção dos tapetes.
Marcos Martins, gestor e educador ambiental do Consórcio Cristo Sustentável, ressaltou que o tapete deste ano serve como um convite à reflexão. Ele destacou que a iniciativa demonstra que é possível preservar a espiritualidade enquanto se transforma a realidade ao nosso redor por meio de pequenas ações.






