O capitão Clemente, Subcomandante do Batalhão de Choque, rejeitou a ideia de que o crescimento nos confrontos policiais em Mato Grosso do Sul esteja relacionado à decisão dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Durante uma coletiva de imprensa realizada na manhã de 9 de junho, o oficial explicou que o aumento da violência se deve, na verdade, à intensificação das atividades do crime organizado na região.
"Não. Não tem essa relação diretamente. Acontece que o crime cada vez mais está se utilizando mais de violência, de ameaça, porque o Estado também está em cima deles. Então o Estado está fazendo a sua parte, principalmente a Polícia Militar do Estado do Mato Grosso do Sul. A gente continua combatendo. Então, o crime cada vez mais vai evoluindo e vai ficando mais agressivo. Então não tem relação diretamente com essa situação lá do presidente dos Estados Unidos, não", detalhou o capitão.
Nos últimos dias, o Estado registrou um aumento nas mortes resultantes de intervenções policiais. Em 9 de junho, A.D.S. perdeu a vida em um confronto com policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) em Sonora, a 362 quilômetros de Campo Grande. No dia 8 de junho, M.E.A., de 22 anos, conhecido como "perturbado", foi morto em um confronto com o Batalhão de Choque em Sidrolândia, a 70 quilômetros da capital. Já em 6 de junho, M.O.M.S, de 19 anos, também foi abatido por integrantes do Choque no Jardim Tijuca, em Campo Grande.
Confrontos semelhantes ocorreram ainda em 5 de junho, quando C.D.F.M., de 25 anos, e A.C.C.R., de 28 anos, faleceram em Rio Verde, município que fica a 203 quilômetros da capital. O capitão Clemente afirmou que os confrontos na região norte de Mato Grosso do Sul são esporádicos e ocorrem em todo o Estado, que possui cinco divisas e duas fronteiras.
Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MS) indicam que, entre 1º de janeiro e 9 de junho de 2026, 50 pessoas morreram em confrontos com agentes do Estado. Dentre essas mortes, 47 eram homens e 1 mulher, além de 2 casos sem a identificação do sexo. A faixa etária das vítimas também varia, com 24 adultos, 19 jovens, 3 adolescentes e 2 idosos.
Em números anteriores, 2025 registrou 73 mortes em confrontos com a polícia. As ocorrências de mortes em ações policiais são classificadas como homicídios decorrentes de oposição à intervenção policial. Essas situações de confronto entre forças de segurança e grupos armados costumam ocorrer durante abordagens, roubos, flagrantes de tráfico de drogas, além de ações de policiamento ostensivo em diversas localidades do Estado.






