A Feira da Agricultura Familiar da Tecnofam 2026 se destaca não apenas pela variedade de produtos, mas também pelas histórias que cada item carrega. Rapaduras, cocadas e bolos de mandioca são alguns dos produtos oferecidos por agricultores de Mato Grosso do Sul, que utilizam o sabor como uma maneira de preservar a cultura e a identidade rural. Para muitos visitantes, a experiência vai além da simples degustação.
A agricultora Cristiane Paula Moraes Vilasboas, do Assentamento Itamarati, localizado em Ponta Porã, compartilha que a rapadura da Estância Engenho revive memórias de sua infância. Cristiane comenta sobre a dificuldade de encontrar produtores que ainda fabricam rapadura, melado ou garapa, e expressa sua alegria ao redescobrir esses sabores que remetem a experiências vividas na juventude.
Outra visitante, Rosilda dos Santos Araújo, de Ribas do Rio Pardo, também sentiu a fusão de novidade e nostalgia ao experimentar as versões de rapadura com sabor de café e limão. Rosilda relembra momentos com seus pais e avós, destacando o prazer de levar para casa a rapadura de café, uma novidade em seu paladar.
Do lado da produção, a conexão entre sabor e memória é igualmente forte. Adenilda Dantas de Medeiros, da Estância Engenho, ressalta que a rapadura evoca lembranças afetivas em quem a prova. As receitas que atravessam gerações se tornam um elo entre o passado e o presente.
No Quilombo São Miguel, em Maracaju, Joaquina Melo Gonçalves Flores Pereira mantém viva a tradição familiar com suas cocadas, seguindo receitas que foram passadas de sua avó, também chamada Joaquina. A história da cocada, que remete à mistura de coco e melado de cana durante o período da escravidão, é uma parte fundamental de cada preparo.
Em Deodápolis, Clarice Gonçalves de Souza, que aprendeu a produzir açúcar mascavo, melado e rapadura no engenho da família desde a infância, vê suas receitas como um meio de preservar a história familiar. Ela é assistida pela Agraer desde 1989 e valoriza a continuidade das tradições.






