MS: Retiradas do Pacto, 38 Obras Escolares Não Serão Retomadas

Em Mato Grosso do Sul, 38 obras da Educação Básica foram retiradas do Pacto de Retomada de Obras pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). A medida interrompe o repasse de recursos federais para 20 prefeituras que não aderiram ao programa criado em 2023 ou não cumpriram os requisitos para a repactuação.

Adicionalmente, 19 obras tiveram seus projetos cancelados nos últimos dois anos, mesmo tendo recebido auxílio financeiro da União para a execução.

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) aponta que este cenário se distancia da média nacional, onde a maioria das obras foi retomada. De um total de 4,9 mil obras aptas para retomada em todo o país, 2,6 mil (52%) estão em processo de retomada ou já aptas, enquanto 2,4 mil (48%) foram desvinculadas, perdendo acesso a novos recursos federais para conclusão.

A CNM alerta para o risco de que prefeituras em todo o país tenham que devolver aproximadamente R$ 3,6 bilhões, em valores atualizados, ao governo federal. Essa restituição pode ocorrer devido ao cancelamento das obras e à necessidade de prestação de contas, que exige a devolução de verbas com valores corrigidos.

O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, aponta que os altos custos das contrapartidas municipais, a desnecessidade do empreendimento e a conclusão da obra com recursos próprios são os principais motivos para a situação. Uma pesquisa da CNM com 356 municípios revelou que 43% alegam que o repasse do FNDE, mesmo com a correção do valor pelo Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), é insuficiente para concluir as obras. Além disso, 72% dos municípios pesquisados ainda não receberam recursos federais.

Desde o lançamento do Pacto Nacional pela Retomada de Obras da Educação Básica, por meio da Lei 14.719/2023, que abriu condições para os gestores aderirem ao programa, 61 obras em Mato Grosso do Sul foram consideradas aptas pelo FNDE. Destas, 29 aderiram ao pacto e 32 não manifestaram interesse. Entre as 29 obras habilitadas, 13 foram reiniciadas, seis, canceladas, quatro, em licitação, três, em execução, duas, concluídas, e uma, inacabada.

As 38 obras desvinculadas do programa federal pela autarquia são construções de creches, escolas da Educação Infantil e do Ensino Fundamental, quadras e coberturas de espaços poliesportivos e ampliação de unidades educacionais, distribuídas em 20 municípios do estado.

Campo Grande lidera o número de unidades excluídas, com sete edificações. Miranda, Coxim e Bela Vista seguem com quatro obras cada. Inocência, Amambaí e Camapuã têm duas. Sidrolândia, Santa Rita do Pardo, Mundo Novo, Bonito, Iguatemi, Rio Negro, Dourados, Itaporã, Nioaque, Batayporã, Dois Irmãos do Buriti, Nova Andradina e Ponta Porã possuem uma obra desvinculada em cada localidade.

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que repactuou todas as obras que atendiam aos critérios técnicos do edital do Pacto Nacional pela Retomada de Obras da Educação Básica, e que as solicitações foram aceitas e contempladas pelo governo federal. A Semed informou ainda que as Escolas Municipais de Educação Infantil (Emeis) Anache, Popular, São Conrado e Oliveira III, que não se enquadravam no programa, estão com a execução em andamento com recursos próprios do município.

Os estados com o maior número de obras desvinculadas são Bahia (266) e Maranhão (252), enquanto Acre e Rondônia apresentam os menores números, com 8 e 23 obras, respectivamente. Das 2,4 mil obras desvinculadas em nível nacional, 1,6 mil foram por não adesão ao pacto e cerca de 800 por não cumprirem os requisitos.

Para evitar a devolução dos recursos dessas obras desvinculadas, a CNM alertou os prefeitos sobre as regras de prescrição de prestação de contas e de arquivamento, previstas na Resolução 344/2022 e Instrução Normativa 98/2024, ambas do Tribunal de Contas da União (TCU). A entidade reforça a orientação do FNDE quanto ao envio de justificativas e de documentações para regularização de obras no âmbito do Pacto.

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